Relatório inicial da CPI da Saúde aponta que São Carlos precisa de um Hospital de Campanha para atender casos de COVID

Vereadores estiveram no "Gripário"

Os vereadores que compõem a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pela Câmara Municipal de São Carlos para apurar possíveis irregularidades na gestão da Secretaria Municipal de Saúde quanto ao combate da pandemia de Covid-19 vistoriaram por volta das 10 horas da manhã deste domingo (23) vários equipamentos públicos de saúde do município com o objetivo de verificar as condições de trabalho dos funcionários e de atendimento prestado aos pacientes vítimas da Covid-19. Estiveram nas Unidades de Saúde do município os vereadores que integram a CPI da Saúde, Marquinho Amaral, presidente, Elton Carvalho, relator, Bruno Zancheta e Dé Alvim, membros. Desta vistoria, foi produzido um relatório que veio a público nesta terça, 25.

Visitas

A primeira visita dos vereadores ocorreu no Centro de Atendimento e Triagem de Síndrome Gripal, instalado no ginásio Milton Olaio Filho. “Os vereadores identificaram que o local é inapropriado para o funcionamento dos leitos de observação e internação, que o prédio é frio e sem a estrutura mínima adequada para abrigar um equipamento público de saúde como o Centro de Atendimento e Triagem de Síndrome Gripal. Em conversa com a equipe de profissionais do Centro de Atendimento ficou evidente a falta de motivação e a revolta pela inexistência de estrutura básica adequada, como lençóis e cobertores para os leitos, e de equipamentos médicos suficientes para o atendimento adequado. Durante a visita ao Centro de Atendimento e Triagem de Síndrome Gripal foi constatado que uma paciente tremia de frio por falta de cobertores, a qual já estava há mais de 48 horas internada com a saturação de oxigênio em 85% e com a oxigenação em 15 litros por minuto. Essa paciente deveria, portanto, ter sido transferida para uma unidade de saúde de alta ou média complexidade. A paciente veio a óbito na madrugada desta segunda-feira (24). As condições de atendimento do Centro de Atendimento e Triagem de Síndrome Gripal foram consideradas desumanas pelos membros da CPI da Saúde”, diz o documento.

Em seguida, os vereadores foram até a Unidade de Pronto Atendimento do Cidade Aracy – UPA do Aracy. “No local, os membros da CPI da Saúde encontraram funcionários desmotivados, sobretudo porque a unidade continua com o atendimento a casos gerais de saúde e pacientes contaminados pela Covid-19. Dois pacientes estavam intubados na UPA do Cidade Aracy colocando em risco de contaminação pacientes de outras enfermidades que não a Covid-19. Os profissionais desta unidade de saúde relataram não ter capacitação técnica necessária para prestar atendimento de intubação e de Unidade de Terapia Avançada (UTI), além de falta de estrutura física adequada para a internação. Não existe na UPA do Cidade Aracy, por exemplo, serviço de hotelaria e alimentação para os pacientes internados”, afirma o relatório.

A UPA do Santa Felícia foi o terceiro local visitado pelos integrantes da CPI da Saúde na manhã do dia 23 de maio. Por decisão da Secretaria Municipal de Saúde, esta unidade passou a atender exclusivamente os casos suspeitos ou confirmados de Covid-19 desde o dia 7 de abril de 2021. “Havia na UPA do Santa Felícia um paciente intubado e um sendo transferido para a Santa Casa. Outros seis pacientes infectados pela Covid-19 estavam no leito de enfermaria.  No local também houve relato de funcionários e pacientes sobre a falta de cobertores, lençóis. No horário da visita à UPA do Santa Felícia havia apenas um médico responsável pelo atendimentos dos pacientes, porém ausente devido ao horário do almoço.

Em conversa com os profissionais de saúde no local ficou evidente a subutilização da UPA do Santa Felícia, uma vez que a unidade atendia cerca de 250 pessoas por dia e que agora passou a atender o número expressivamente menor”, ressalta o documento.

O relatório apresentado pelos vereadores da CPI aponta para conclusões curiosas:

Com base no diagnóstico e informações obtidas presencialmente nas visitas realizadas no dia 23 de maio e da reunião da CPI da Saúde realizada na segunda-feira (24) no plenário da Câmara Municipal, temos as seguintes conclusões parciais:

Os integrantes da CPI da Saúde entendem que o município não tem um protocolo de atendimento e transferência eficiente para ser seguido e que a Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde (Cross) está sendo mal utilizado;

A paciente em estado grave internada há 48 horas no Centro de Atendimento e Triagem de Síndrome Gripal e que faleceu na madrugada desta segunda-feira (24) deveria ter sido transferida para uma unidade melhor preparada, como a UPA do Santa Felícia que estava subtilizada;

Ficou evidente a inexperiência de parte da equipe profissional e dificuldades técnicas para procedimentos mais complexos, como intubação;

Além de pouco utilizada, a UPA do Santa Felícia está sem estrutura adequada para ser referência de Covid;

De acordo com o pactuado com a Câmara Municipal, a UPA do Cidade Aracy não prestaria atendimento de Covid-19;

Em conversa com as equipes de profissionais das três unidades de saúde visitadas, os integrantes da CPI da Saúde chegaram ao entendimento que o município necessita da instalação de um Hospital de Campanha que funcione com base em rigoroso protocolo de atendimento, com médicos e demais profissionais de saúde com experiência comprovada no atendimento a pacientes graves de Covid-19.

Quem quiser ver o relatório pode clicar aqui: