Renata se foi e só nos resta chorar…

Uma grande jornalista

Quando você foi embora

Fez-se noite em meu viver

Forte eu sou mas não tem jeito

Hoje eu tenho que chorar

Minha casa não é minha

E nem é meu este lugar

Estou só e não resisto

Muito tenho pra falar (Travessia, canção interpretada por Milton Nascimento)

A Renata um dia me ligou com aquele sorriso largo que eu já sabia como era e pediu: tem como você publicar uma matéria sobre um médico que estou assessorando aqui em Ribeirão? Primeiro eu brinquei com ela, antes de dizer sim, e falei: por que você está sorrindo tanto assim nesta ligação? Ela respondeu: “porque eu gosto de falar com você, além de ser meu xará, você é divertido, faz piadas ótimas e é um baita jornalista!”

A Renata era isso, na minha opinião, poderia ser definida com uma palavra: generosidade. Ela era um ser humano generoso, gentil, cordial e acima de tudo uma pessoa admirável. Eu conheci a Renata quando estudava na UNESP, ela estava apresentando o antigo Jornal Regional e na primeira vez que a vi no vídeo fiquei admirado: “que apresentadora linda!” Foi isso que pensei, eu era um jovem aprendiz de jornalista.

Depois de um tempo, percebi que a Renata tinha o coração mais lindo, uma mulher maravilhosa, competente, professora, jornalista na mais cristalina das definições, e aprendi tudo isso sendo seu amigo. Toda vez que ela tinha matérias regionais para serem postadas vinha o seu pedido e eu sempre respondia que nunca poderia dizer não para uma das minhas inspirações para seguir na profissão. É isso! Para mim, a Renata foi inspiração, muitas vezes leu meus textos, minhas crônicas, minhas poesias, me ouviu cantar (porque mandei músicas à ela e ouviu todas e as analisou com carinho e também verdade!). Ela nunca se furtou, nunca deixou de me responder e também deu conselhos e os pediu. Conversávamos sempre que podíamos com uma delicadeza singular.

Renata Canales era minha xará, mas um ser humano muito melhor que eu e ao saber de sua partida só posso prantear de maneira tão sentida que nem consigo escrever essas breves palavras, pois surgiu um tamanho vazio dentro de meu peito que não sei como preencher, realmente é uma pessoa que estimava e que foi embora e o mundo ficou muito, mas muito mais pobre.

Uma vez estava em Franca, onde minha esposa leciona na universidade, e a Renata me mandou mensagem sobre um evento de que havia produzido uma matéria. O mesmo seria justamente em Franca e contei que estava na cidade. Ela sorriu e falou que o mundo era maluco porque coloca as pessoas umas perto das outras sem mesmo a gente nem saber como vai acontecer. Essa frase ficou na minha cabeça e hoje só tenho que agradecer por ter podido aprender alguma coisa com uma pessoa de tamanha envergadura.

Como disse a Patrícia Badessa, a Renata agora vai encontrar seu amado filho, o Rô. Ela sempre escrevia textos que eram ensinamentos para mim sobre seu filho e o tempo que passou com ele aqui nesta terra. Agora, Renata vai encontra-lo em um outro plano, contudo gostaria de dizer que ela continuará viva em minha memória e sendo a inspiração que sempre foi.

Que um dia toda nossa tristeza seja transformada em saudade e esperança. Adeus, Renata. Um dia quero ouvir seu sorriso novamente! Deus lhe receba de braços abertos.

Com carinho,

Renato Chimirri.