Restaurantes fechando, as enchentes em discussão e a solução: TUSCA!

Vista do céu: a imponência da festa!

Todos sabemos que não é fácil ser comerciante, são muitos impostos, sem contar os preços altos dos aluguéis e também a manutenção de uma equipe que possa oferecer um atendimento de qualidade para o cliente e assim cativá-lo para uma eventual volta. Recentemente, São Carlos teve notícias de fechamentos de restaurantes no Centro como o Cabaña (que muitas pessoas afirmam que mudou para o São Carlos Clube), agora o alemão Fritz, houve uma outra casa que encerrou atividades na Vila São José, assim como um restaurante que servia almoço fechou na região da Cidade Jardim. Ainda tivemos em anos recentes o encerramento da hamburgueria Lê Pinguê e também de um restaurante que servia comida oriental.

Normalmente, esse tipo de notícia desperta a curiosidade do leitor de duas formas: a primeira é a do freguês que lamenta por perder um local que gostava de frequentar e o outro que fica chateado, pois não conseguiu ir até o bar para conhecer a casa, tem aquele também que diz que o restaurante fechou porque tinha preço caro. Nisso tudo, há uma espécie de drama e de pessoas que comentam que os fechamentos são fruto de um problema com a economia da cidade. Muitos falam da província, que a cidade é pequena e que mentalidade é ruim. Isso pode até ser verdade, mas não esses não são os únicos fatores.

É fundamental relevar que o problema é nacional, a crise econômica é brasileira e não apenas de São Carlos e parece que não temos perspectivas tão rápidas de deixa-la para trás tão facilmente. Com a crise, o consumidor corta gastos, compra o essencial e a primeira coisa que deixa de fazer é se divertir, ou seja, fica mais em casa e assim não gasta na rua. Essa bola de neve cai justamente em quem tem casas para a frequência noturna ou na hora do almoço. A queda de movimento em restaurantes da cidade é explícita. Conversei recentemente com um comerciante e ele afirmou que seria muito bom que tivéssemos duas “Tuscas” por ano. Ele reiterou que isso, se fosse possível, garantiria a vida de muita gente, inclusive com a preservação e até a criação de muitos empregos devido ao dinheiro injetado na economia pela festa. Aliás, a Tusca também é boa para outros setores que não apenas o alimentício.

É evidente que o comércio de São Carlos também tem muitas dificuldades, concorre atualmente com a internet para vender seus produtos e perde e ainda por cima precisa se livrar das enchentes, hoje é impensável se ter um restaurante, por exemplo, na região onde ocorrem os alagamentos.

Uma excelente reportagem no dia de ontem da EPTV mostrou que comerciantes estão deixando a Baixada do Mercado depois das perdas provocadas pelas enchentes, isso significa menos empregos, menos opções e o encolhimento contumaz da economia da cidade e é neste particular que a Prefeitura precisa abrir os olhos e parar de ficar brigando por WhatsApp como fizeram recentemente dois secretários municipais.

A Prefeitura como agente administrador local tem que trabalhar para resolver a questão das enchentes, o governo Airton dormiu de touca durante três anos e agora corre atrás do rojão que está no céu porque tivemos três enchentes seguidas que praticamente colocaram o tema como primordial na eleição deste ano. Não basta mais dizer que “a enchente em São Carlos existe desde que a cidade foi fundada”, é preciso fazer mais, é fundamental resolver.

O comércio tem fechado lojas em São Carlos, mas é interessante observar que outras estão mudando de local e começam um movimento que pode deslocar aos poucos a área comercial para setores não alagáveis da cidade. Se isso acontecer, muitos vão perder especialmente quem tem imóvel nestas áreas centrais. Portanto, essas pessoas precisam cobrar a Prefeitura para que este problema ganhe prioridade urgentemente.

Somente entrando dinheiro, com consumo alto e gente circulando é que o comércio poderá prosperar e parece que neste momento a Tusca ainda está bem longe para que um “mundaréu” de gente invada São Carlos novamente….

Vamos ter que planejar para que nosso comércio siga forte e atendendo o consumidor a contento, bem como gerando emprego. Mas o forte do são-carlense nunca foi o planejamento, vide as marginais sempre alagadas e a construção de prédios em áreas onde deveriam ficar apenas os córregos…

Renato Chimirri