
Mãe e filha passaram apertado na Rodovária na madrugada do dia 6 quando levaram um familiar para embarcar num ônibus
A região da Rodoviária de São Carlos tem sido palco recorrente de relatos de abordagens insistentes, intimidação e sensação de insegurança por parte de moradores em situação de rua. O problema, considerado antigo por usuários do terminal, volta a chamar atenção após o depoimento de uma leitora, que relatou momentos de medo vividos durante a madrugada do último dia 6.
Segundo o relato, a situação ocorreu por volta das 2h, quando a leitora e a filha foram até a rodoviária para acompanhar um familiar que embarcaria em um ônibus. Antes mesmo de descerem do carro, elas teriam sido abordadas por um homem em situação de rua que pediu dinheiro. Ao ouvir que não havia moedas disponíveis, o homem teria reagido de forma agressiva, passando a falar alto, responder de maneira alterada e provocar verbalmente a leitora.
Ainda de acordo com o depoimento, mesmo após se afastar, o indivíduo continuou a intimidar a família à distância. Em determinado momento, ao se dirigirem para deixar o local, a leitora afirma que voltou a ser abordada, quando o homem teria simulado comportamentos desconexos e feito ameaças verbais, aumentando o medo de uma possível agressão.
O episódio se agravou quando o mesmo indivíduo entrou no interior da rodoviária e foi até a área de embarque, onde o familiar da leitora aguardava para subir no ônibus. “Foi um sufoco”, descreveu, destacando que a insistência e a perseguição ultrapassaram o simples pedido de ajuda.
Rodoviária e quadrilha?
Outro ponto destacado no relato é a percepção de organização entre os abordadores. A leitora afirma que, após o primeiro homem se afastar, outro indivíduo — aparentemente bem vestido — tentou se aproximar com um discurso considerado suspeito, alegando necessidade de trocar passagens. Segundo ela, o primeiro homem teria feito um gesto à distância para que o segundo se afastasse, o que reforçou a sensação de que há uma divisão de espaços e atuação coordenada entre eles.
A Rodoviária de São Carlos está localizada em um quadrilátero formado pelas ruas Alexandrina, Cezar Ricomi, São Joaquim e Jacinto Favoretto, área de grande circulação de passageiros, motoristas e familiares, inclusive durante a madrugada.
Para a leitora, a situação vai além da vulnerabilidade social e passa a configurar um cenário de intimidação. “Não dá para o cidadão ser coagido a dar dinheiro por medo. A maior indignação é essa, além do medo vivido na hora”, afirmou.
Ela também defende maior presença das forças de segurança no entorno e no interior do terminal rodoviário, especialmente em horários de menor movimento. “A rodoviária precisa de melhor segurança , tanto pelos usuários quanto pela imagem da cidade, que acaba sendo levada para fora por motoristas e viajantes”, completou.
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