
A região da Rodoviária de São Carlos volta a ser motivo de preocupação. Não se trata de um fato isolado, tampouco de uma percepção exagerada de quem passa pelo local diariamente. Há meses, moradores, trabalhadores, estudantes e passageiros relatam abordagens intimidatórias, tentativas de assalto e uma crescente sensação de insegurança no quadrilátero formado pelas ruas Alexandrina, Cezar Ricomi, São Joaquim e Jacinto Favoretto.
Nesta semana, mais um episódio reforçou esse cenário. Segundo relato encaminhado por um leitor ao São Carlos em Rede, uma mulher foi alvo de uma tentativa de assalto nas proximidades da rodoviária. De acordo com a informação, ela foi abordada por um homem que fazia menção de estar armado, com um objeto na cintura que aparentava ser um cano ou uma arma, enquanto tentava roubar seu celular. Felizmente, a ação não se consumou, mas o susto e o medo permaneceram.
O caso serve como alerta, mas também evidencia um problema que já não pode mais ser tratado como algo pontual. A população tem o direito de caminhar pela cidade sem receio de ser intimidada ou atacada. A rodoviária é um dos principais cartões de visita de São Carlos, recebendo diariamente moradores, visitantes, estudantes universitários e trabalhadores. A imagem transmitida por um ambiente marcado pela insegurança prejudica a cidade e, principalmente, afeta a qualidade de vida de quem depende daquela região.
É evidente que a segurança pública é um desafio complexo e que não se resolve apenas com viaturas circulando. A região também exige ações integradas (muitas já acontecem, mas talvez estejamos precisando de mais), com reforço do policiamento ostensivo, presença constante da Guarda Municipal, monitoramento por câmeras, iluminação adequada e políticas de assistência social voltadas às pessoas em situação de vulnerabilidade que frequentam o local. Uma medida não exclui a outra; elas precisam caminhar juntas. Algumas pessoas defendem até um posto avançado da GM neste equipamento público.
Enquanto isso não acontece, cabe também aos cidadãos redobrar a atenção. Evitar o uso do celular à mostra, permanecer em locais mais movimentados e manter-se atento ao entorno são atitudes que podem reduzir riscos, embora jamais devam ser encaradas como a solução definitiva.
São Carlos cresceu e se desenvolveu, mas alguns problemas persistem há anos sem uma resposta à altura. A situação da Rodoviária é um deles. O episódio relatado por nosso leitor deve servir não apenas como um alerta aos motoristas e pedestres, mas também como um chamado às autoridades.
Porque o direito de ir e vir com segurança, inclusive na região da Rodoviária, não pode depender da sorte. É uma obrigação do poder público e uma expectativa legítima de toda a população.
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