Rosoé Donato: um professor dedicado e um homem de espírito público

Rosoé tinha 50 anos

Eu conheci o Rosoé Donato quando ainda estudávamos na UNESP em Araraquara. Ele era mais velho do que eu, por isso estava no quarto ano de Ciências Sociais e eu no primeiro. Já naquela época nosso discurso se afinou porque tínhamos visões de mundo semelhantes. Rosoé se formou e passou a lecionar e acho que ali estava a sua alma.

Ele foi um grande professor. Era querido por seus alunos e hoje, na data do seu falecimento, é possível observar a quantidade de pessoas que puderam aprender com ele. Uma aluna escreveu: “Foi o professor com o qual mais me identifiquei!” E não foi só ela que disse isso, perdi as contas dos alunos que choraram hoje com esse falecimento.

Não era difícil se identificar com o Rosoé. Ele era um cidadão sensível, especialmente às causas do mundo, aquelas sociais, que mexem com as pessoas, os alunos adoravam suas aulas por isso, pela humanidade com que ensinava e pelas palavras de segurança que passava a eles. Ser professor é um sacerdócio tão importante que só mesmo gente predestinada e abençoada como o Rosoé é que poderiam desenvolvê-lo com tanta maestria.  

Mas ela não foi apenas professor. Militou por anos no PT de São Carlos e ajudou a construir a trajetória de sucessos dos governos petistas na cidade especialmente porque sempre acreditou em dois valores fundamentais: a participação popular e a democracia. Rosoé era um democrata na acepção da palavra, um homem de diálogo, de atitudes, de buscar o consenso, alguém que tinha a política no sangue e sabia expressar de maneira serena seus posicionamentos.

Foi Secretário de Planejamento e Gestão do Governo Oswaldo Barba e exerceu sua função com dedicação, afinco e honestidade. Rosoé preservava o espírito público, os bons valores e sempre tinha um sorriso no rosto.

Quando encontrava com ele sempre lembrávamos da UNESP, dos bons tempos, e ríamos ao falar das histórias da “árvore da felicidade”. Seu falecimento, motivado por um câncer, é uma perda irreparável para a educação são-carlense, para a política local e, claro, para seus familiares.

Em um tempo onde perdemos tantos pelo momento da pandemia, acabamos surpreendidos por mais essa infeliz situação. Que o amigo Rosoé fique em paz! Fica nosso beijo à esposa Heleni e a família. Tenham paz, estamos rezando por vocês.

Renato Chimirri