Saiba por que dia 15 de agosto é feriado em São Carlos

Santuário recebe milhares de pessoas

Cirilo Braga

A data entrou para o calendário oficial de São Carlos no dia 11 de outubro de 1949, quando o prefeito Luis Augusto de Oliveira, o Luisão, sancionou a Lei Municipal No. 1176.

No dia em que a Igreja Católica celebra o Dia da Assunção de Nossa Senhora, a lei reconhecia a tradição dos festejos realizados desde 1941 no Bairro de Babilônia. Ali, os fieis faziam peregrinação até a capela construída no local onde no passado teria ocorrido um milagre.

Contava-se que na década de 1860 – não se sabe a data precisa – um grande incêndio consumiu a mata da Fazenda Babilônia, deixando intacta apenas uma árvore com sua copa verdejante. Aos pés dela, numa bifurcação do tronco, os moradores do povoado encontraram uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Em 1870 construiu-se uma ermida para marcar o ponto exato, em torno do qual eram sepultados os escravos. Por esse motivo, a região conservou por muito tempo o apelido de “Babilônia dos Pretos”.

No ano de 1894 uma cruz de ferro foi fincada no lugar. E nas duas primeiras décadas do século XX correu a fama das graças alcançadas pelos moradores das cercanias.

Em 1925 foi construída uma pequena capela, substituída por uma nova no ano de 1944, quando a celebração de “Nossa Senhora da Babilônia” já era aceita pela Igreja.

Começavam as peregrinações de fieis, fato  que levou a administração municipal a oficializar a data como feriado religioso.

O feriado municipal foi sucessivamente confirmado por leis editadas em 1967 (gestão de Antonio Massei), 1974 (Mário Maffei) e 1990 (Neurivaldo De Guzzi).

A oficialização se fundamentou num histórico sobre as origens da capela produzido em 1946 por Pedro Altenfelder Cintra e Silva, que coletou depoimentos dos moradores mais antigos do bairro e de devotos que afirmavam conhecer a história.

A Lei Municipal 10 257, de 1990, cumprindo a legislação federal, fixou em quatro os feriados religiosos no município: Sexta Feira Santa, Corpus Christi, 15 de Agosto e 4 de Novembro (Dia de São Carlos Borromeu).

O acesso ao Santuário de Nossa Senhora da Babilônia pode ser feito pela Rodovia Dr. Paulo Lauro, (SP 215) km 136. Mas o local também pode ser alcançado por estradas de terra, que seria escolhido por um peregrino-raiz.

Fiz por duas vezes a caminhada a pé até o Santuário, numa delas acompanhado pelo séquito dos fieis que saiu de madrugada da igreja de Santa Isabel, e outra vez sozinho, pela chamada “estrada velha” da Babilônia onde, obviamente, me perdi. Era ainda um tempo em que o celular não havia emplacado de vez e estava longe o recurso do WhatsApp.

Sempre me despertou a história do Santuário da Babilônia. Chego a pensar que para se sentir de fato um são-carlense de coração e de fé, toda pessoa que aqui vive precisa colocar os pés ao menos uma vez em dois lugares: a Fazenda Pinhal e o Santuário da Babilônia.

A imagem da santa na Capela, a salas dos ex-votos, também conhecida como “sala dos milagres” e a sala das velas, conferem similaridade com a Basílica de Aparecida. A mística do lugar, a paisagem no entorno da igreja, porém, não deixam dúvidas de que aquele bairro de extrema simplicidade tem algo de sagrado.

Quando ali estive, agradeci à padroeira, rezei também diante de uma imagem de Nossa Senhora da Saúde e, numa sala para esse fim, acendi velas. Também percorri o pátio da igreja, então repleto de pés de manga e carambola. Isso horas depois de ter deixado a cidade apenas com uma mochila nas costas e o único objetivo de chegar ao local repleto de misticismo e onde, acredite, o espírito fica em paz depois que a gente reza.