São-carlense com COVID-19 afirma: “Você acha que vai morrer a qualquer hora!”

Paciente usou oxímetro

Um são-carlense que mora em São Paulo foi recentemente contaminado pela COVID-19 e neste relato conta como foram os dias que passou com a doença:

Os meus primeiros sintomas começaram em 03/01, logo após as festas de final de ano, que não foram as mesmas, ou seja, devido ao receio de transmissão dessa vez a família não esteve toda reunida.

Como iniciaria um novo trabalho no dia 04/01, os dias anteriores foram marcados por várias reuniões, ambientes fechados, um número razoável de pessoas, com os cuidados necessários sendo tomados.

Mesmo assim, no domingo (dia 03/01), acordei com uma tosse persistente. Não dei muita atenção, saímos eu e minha esposa e fomos caminhar na Paulista, fomos ao mercado e depois fomos almoçar. Nada de anormal.

Na manhã de 04/01 acordei e fui trabalhar, sensação de uma gripezinha, dor de cabeça, tosse, mas com a adrenalina do primeiro dia, muitas informações, o dia transcorreu normalmente. Apenas quando cheguei em casa, à noite, notei que os sintomas tinham se agravado e comecei a me preocupar efetivamente.

Marquei o exame para o dia seguinte, e não deu outra: POSITIVO!

A sensação é muito ruim, caminhei aproximadamente 2 km até a minha casa, com vários sentimentos: medo de vir a ser um caso grave, sim, medo de morrer. Preocupação com as pessoas que tinham estado comigo naqueles dias e na própria segunda-feira, dia 04. Enfim, uma caminhada de alguns metros mas que durou uma eternidade.

Felizmente moro num apartamento confortável, onde pude me isolar num quarto e minha esposa ficar no resto da casa e ainda assim, com todo cuidado possível, dando toda assistência a mim.

A cada notícia de alguma nova morte, o medo aumentava, a sensação é que a qualquer momento seu caso pode piorar e você terá que correr para o hospital, a vigilância fica constante e a paranoia aumenta demais. O que não acontecia no começo, hoje já é recorrente, amigos, parentes, pessoas muito próximas, todos com algum caso, de menor ou maior grau de complexidade e em muitos casos, pessoas conhecidas que perderam a vida em decorrência da doença.

Nos primeiros dias os sintomas foram leves, no quarto, quinto dia, a tosse se intensificou, a respiração não era a mesma, falta de ar, e as dores pelo corpo aumentaram bastante. Não conseguia ficar em pé no quarto.

Resolvi procurar um Hospital, achando que o meu caso era grave. Chegando lá, a primeira constatação, o número de casos realmente está fora de controle. Apesar de muito bem organizada, a ala do hospital reservada a Covid estava literalmente lotada e ali ficava fácil de ver que meu caso não era, até então, dos mais complicados.

Fui examinado, liberado, e assim voltei para casa, com o oxímetro colado, media a oxigenação de 5 em 5 minutos. Como desde criança nunca fui de tomar remédio, dessa vez não foi diferente, meu único remédio foi água, muita água. Conversei com dois amigos de São Carlos, médicos, um inclusive também estava positivo e me acalmei um pouco.

Mesmo assim fora dias muito tensos, de muita revolta com esse Governo Federal negacionista e que coloca a vida da população em risco com sua falta de política para o enfrentamento da pandemia e da desinformação com que as pessoas tratam de um assunto gravíssimo e que pode piorar ainda mais, só ver o que está acontecendo em Manaus desde ontem.

Enfim, hoje estou sem sintomas, creio que o pior já passou, e agradeço por meu caso ter sido leve, sendo que consegui passar o tempo todo na minha casa, sendo muito bem tratado.

Por isso, espero que o processo de vacinação venha mais rápido possível, enquanto isso vamos nos cuidar: USEM MÁSCARA, EVITEM AGLOMERAÇÕES E SE POSSÍVEL MANTENHAM O ISOLAMENTO SOCIAL!

DEFINITIVAMENTENÃO SE TRATA DE UMA SIMPLES GRIPEZINHA!!!!

Relato enviado ao São Carlos em Rede por Paulo Oliveira