São-carlense que participa dos Jogos Abertos ostenta o título de Grande Mestre Internacional de Xadrez

Um esporte para poucos

O ambiente é uma mistura de três situações:  silêncio, concentração e paciência.  E  cada  um estabelece a ordem que achar melhor. Em São Carlos, o Centro de Convenções do Hotel Nacional Inn, um espaço de 17,78 metros de largura por 56,11 de comprimento reúne 696 enxadristas, 320 no feminino e 376 no masculino, de 87 cidades das 217 que participam dos Jogos. São muitos números? Calma: vai piorar!

O tabuleiro de Xadrez é dividido em 64 quadros, chamados de ‘casas’, distribuídas em 8 colunas verticais e 8 fileiras horizontais, com linhas 1 e 2 para as peças brancas e 7 e 8 para as pretas; no total são 32 peças, 16 para cada 1 dos 2 jogadores; 1 rei, 1 rainha, 2 bispos, 2 cavalos, 2 torres e 8 peões;  essas peças têm valores que podem variar (1, 3, 5 e 9). Existem, claro, muito mais dados numéricos sobre dimensões de tabuleiro e peças, por exemplo, mas para não fazer o leitor perder a ‘esportiva’ é bom parar por aqui.

É justamente por causa dessa atmosfera rigorosa que o Xadrez atrai, em grande escala, competidores que têm predileção pelas ciências exatas como a Matemática, a Física e a Engenharia, embora haja, também, adeptos da modalidade que se movimentam por outras áreas do conhecimento. Quem não conhece nada, e está disposto a começar a entender, tem até a próxima terça-feira, 20 de novembro, para ver de perto algumas ‘feras’ que levam e elevam o nome do Estado e do País, e estão dando uma mostra do talento nos 82º Jogos Abertos do Interior em São Carlos.

Uma dessas notoriedades do Xadrez nacional nos Jogos é o são-carlense Felipe de Cresce El Debs, que desde 2010 faz parte do seleto grupo de apenas 14 brasileiros que ostentam o difícil título de Grande Mestre Internacional, o maior concedido pela Federação Internacional de Xadrez (FIDE), fundada em 1924 em Paris.  Embora tenha nascido em São Carlos, em 1985, e more em São Paulo (capital), nessa edição dos Jogos ele disputa o torneio representando a cidade de São José do Rio Preto: “O Xadrez tem tido uma evolução no Estado de São Paulo por uma questão básica: aqui tem uma quantidade maior de torneios, como os Jogos Abertos, e isso, claro, ajuda demais. O crescimento da modalidade é visível quando a gente percebe que há 20 anos haviam apenas 4 Grandes Mestres em todo o Brasil e hoje já são 14, entre os quais eu me incluo”.

Felipe comenta que os pais dele ainda moram em São Carlos e que administra uma certa regularidade de visitas à cidade. “Eu comecei a me envolver com o Xadrez com meu pai, o tio ajudou um pouco, mas o legal é que na escola onde eu estudava havia aula de Xadrez. E também tive muita sorte porque, na época, tinha um Mestre carioca que morava em São Carlos, e foi ele que me proporcionou uma boa base”, lembrou Felipe.

As equipes de Xadrez de São Carlos nos Jogos são representadas por estudantes que nasceram ou moram aqui. Grande parte, no feminino e masculino, é composta por estudantes dos campi locais da USP e da UFSCar. Cada equipe tem 8 enxadristas, sendo que 4 são titulares. De acordo com Samuel Souza Ferreira, assistente da comissão técnica local, “desde o início desse ano houve uma preparação específica para os Jogos Abertos e, acreditamos, a equipe feminina tem muita chance de medalha”. Se a expectativa de Samuel se confirmar, o Xadrez da cidade-sede dos Jogos terá duplo motivo para comemorar, e de vez dar um xeque-mate na ideia pequena de que sonhar grande não é possível.