São Carlos 163 anos: A cidade atrapalhada pelas picuinhas políticas

Discussões sobre o futuro

São Carlos comemora seus 163 anos com um saldo positivo de gente decente e de bem quer seja nas classes mais abastadas ou nas mais humildes. Há são-carlenses nascidos, criados e adotados que nos orgulham muito por levar nosso nome para o Brasil e o resto do mundo nas áreas de pesquisa, indústria, educação, esportes e cultura. São muitos os famosos e aqueles que mereciam um reconhecimento maior, como é o caso do humorista Ronald Golias, reverenciado no Brasil todo como uma referência artística das mais importantes. Por aqui, ainda, infelizmente, não é lembrado com o carinho que deveria. Golias merecia muito mais do que tem, pelo fato de ser quem é.

Mas São Carlos sempre teve desde sua fundação uma política tóxica, nunca houve a união esperada em torno de candidaturas para que a cidade pudesse surfar numa onda de desenvolvimento e com isso os políticos locais sempre pensaram na tese de que se não puderem vencerem uma disputa preferem lançar uma candidatura para atrapalhar aquela que é considerada favorita.

Respeitando as necessárias diferenças ideológicas, essa política canibal nunca foi a melhor opção para São Carlos e basta observar como não conseguimos ao longo dos anos mesmo tendo o maior colégio eleitoral da região central eleger um mísero deputado estadual, o último com mandato realmente foi Lobbe Neto, depois apenas suplentes e mais nada. Isso se dá porque em São Carlos os grupos políticos colocam seus interesses acima dos anseios da cidade e não conseguem sentar numa mesa e com isso articular uma frente que possa dar a relevância política que a cidade merece. Hoje, preferem gritar, se preocupar com questões de gênero sob a égide da hipocrisia religiosa, ao invés de notar os reais problemas pelos quais passam o povo.

A política local é a do quanto pior melhor e isso tudo tem um preço a ser pago que é justamente o da irrelevância política. Vejam Araraquara, hoje ela tem um governo do PT, e tem mais relevância para o governador tucano, João Doria, que São Carlos onde um governante que não é do PT está no poder. Isso é um clássico sinal de que falta liderança política na cidade para alavancar o nosso prestígio, falta visão de futuro de que se a base não for construída com unidade estamos fadados a continuar precisando mendigar verbas para deputados de outras regiões.

Nesse 4 de novembro os grupos políticos continuam dando mau exemplo, vejam a quantidade de candidatos a prefeito. Não se conseguiu construir uma aliança entre eles, todos se lançaram para a disputa como soldados kamikazes e no que isso vai dar? Em fragmentação de votos e na mais pura demonstração de que por aqui união é uma palavra que não faz parte do calendário político.

Se as estratégias não forem repensadas, São Carlos continuará sendo a maior cidade da região central, mas manterá uma classe política que tem profundas dificuldades para se unir em prol do progresso municipal. Esse é um caso para se pensar de maneira urgente…

Renato Chimirri