São Carlos, a cidade dos políticos sem expressão

Nuvens negras no céu eleitoral

Conversando com meu amigo Fabio Taconelli descobri que São Carlos pode ter mais de dez, eu disse DEZ, candidatos a deputado estadual na eleição que se aproxima. Isso, na minha modesta opinião é uma conta de maluco e novamente o município corre risco de não eleger ninguém, justamente uma cidade que já teve, por exemplo, em Vicente Botta, o “mister Assembleia Legislativa”, pois foi deputado por diversos mandatos seguidos.

É direito do cidadão se candidatar, colocar seu nome à disposição na urna eletrônica, os partidos estão aí com uma estrutura que não é a melhor, mas infelizmente é o que temos atualmente. Não quero discutir ideologias, mas será que esse pessoal não pensou que numa cidade com 250 mil pessoas ter mais de dez candidatos é praticamente anular as chances de um ou outro se eleger? Mesmo os bem cotados em pesquisas correrão os riscos de nadar e morrer na praia ou então irão precisar de uma baciada de votos em outros municípios para poder chegar à cadeira de representante parlamentar na Assembleia Legislativa. Se tudo continuar, e deve ser assim, como está, a maioria dos candidatos a estadual disputará uma eleição para vereador num pleito que é para o Estado inteiro.

Não entra na minha cabeça imaginar que os candidatos não se tocaram ainda que além de buscar os minguados votos que estão na praça, eles enfrentarão uma abstenção que deve ser recorde nessa eleição por conta da desilusão com o sistema. Os caras não perceberam que irão concorrer também com gente que já tem mandato e que agora lembrou de São Carlos e posa como “da cidade” para tentar abocanhar um votinho.

Na minha modesta opinião, os partidos, se fossem mais orgânicos e organizados, deveriam se unir por campos de ideias e lançar um candidato que representasse uma unidade, porém a coisa já começa errada quando se mistura política com religião e o partido se torna apenas uma muleta para determinadas situações.

Quem está no poder não tem interesse em ter partidos fortes ou então uma legislação moderna que acabe com o clientelismo e faça com que realmente se elejam pessoas com boas propostas, a tarefa está nas mãos do eleitor, mas hoje o brasileiro, e o são-carlense está no contexto, ainda não se tocou que seu poder de voto é o que realmente pode fazer a faxina e limpar de uma vez por todas as casas políticas da República.

São Carlos, a cidade da tecnologia, que hoje está suja e mal cuidada em vários aspectos, terá, provavelmente, que ficar pedindo penico para outros locais que conseguem ter representantes na Assembleia Legislativa justamente porque falta uma organização política melhor.

Todos, com o direito que a lei permite, podem querer e devem ser candidatos, porém a engenharia para que tenhamos um representante passa muito longe da vontade de apenas ser candidato que eu, você ou qualquer outro possa ter.

É hora de pensar na cidade, ou pelo menos, deveria ser. Se bem que teve um cidadão que me disse que essa hora já foi, agora Inês é morta, como diria aquele dito popular.

Renato Chimirri