
A movimentação política antecipada em São Carlos revela mais do que ambição eleitoral: escancara um dilema histórico da cidade quando o assunto é representatividade na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. A lista de pré-candidatos a deputado estadual e federal cresce, os partidos se multiplicam, mas o eleitorado permanece o mesmo — limitado, fragmentado e marcado por altos índices de abstenção.
Os números da eleição municipal de 2024 são claros. Dos quase 200 mil eleitores aptos, pouco mais de 140 mil compareceram às urnas. Ainda que o índice de abstenção tenha sido menor que o registrado durante a pandemia, ele segue elevado e muito distante do patamar observado em 2016. Isso significa, na prática, que São Carlos não vota inteira — e quando não vota inteira, fala mais baixo no cenário estadual e nacional.
O problema se agrava quando esse contingente restrito de votos precisa ser dividido entre muitos candidatos locais. A pulverização favorece adversários de outras cidades, com colégios eleitorais maiores, máquinas políticas mais robustas e alianças regionais já consolidadas. Enquanto isso, São Carlos insiste em repetir uma estratégia que raramente dá certo: apostar em múltiplos projetos individuais, em vez de construir um projeto coletivo de representação.
É ilusório acreditar que um município, sozinho, consiga eleger deputados apenas com seus próprios votos. A matemática eleitoral é implacável. Sem articulação regional, sem diálogo com cidades vizinhas e sem unidade mínima entre forças políticas locais, o resultado tende a ser o mesmo de eleições anteriores: candidatos bem votados em casa, mas insuficientes para garantir uma cadeira.
A consequência é sentida no cotidiano. Sem representantes com base eleitoral sólida no município, São Carlos perde espaço na disputa por emendas, investimentos e decisões estratégicas. Obras atrasam, recursos escasseiam e prioridades locais ficam em segundo plano diante de interesses de regiões mais organizadas politicamente.
Não se trata de defender a exclusão de nomes ou o silenciamento do debate democrático. Ao contrário. O que se impõe é maturidade política. É preciso reconhecer que vaidade não elege deputado e que fragmentação raramente se traduz em vitória coletiva. A cidade precisa decidir se quer apenas participar do jogo ou se deseja, de fato, influenciar o placar.
O eleitor também tem papel decisivo nesse processo. A abstenção não é neutra: ela favorece quem já é forte e penaliza quem tenta crescer. Cada ausência nas urnas enfraquece a voz da cidade e reduz seu peso político.
Se São Carlos pretende voltar a ter protagonismo, o caminho passa por articulação, renúncias estratégicas e compromisso com um projeto maior que interesses pessoais ou partidários. Caso contrário, seguirá assistindo às decisões que impactam seu futuro serem tomadas por quem pouco conhece — ou pouco sente — a realidade local.
O que faz um deputado estadual?
O deputado estadual atua na Assembleia Legislativa do Estado, no caso paulista, a Alesp. Entre suas principais funções estão:
- Criar e votar leis que valem para todo o estado
- Fiscalizar as ações do governador
- Aprovar o orçamento estadual
- Destinar emendas parlamentares para municípios
Ter um deputado estadual com base em São Carlos significa mais força política para demandas regionais, como investimentos em saúde, educação, infraestrutura e segurança.
Pré-candidatos a deputado estadual em São Carlos
O grupo de pré-candidatos reúne nomes experientes da política local e figuras com atuação administrativa ou comunitária:
- Bira (Ubiraja Teixeira) – vereador pelo Podemos
- Djalma Nery – PSOL
- De Alvim – Solidariedade
- Elton Carvalho – Republicanos
- Júlio César – PL
- Édson Ferraz – MDB
- Newton Lima – PT
- Ex-prefeito por dois mandatos, ex-deputado federal e ex-reitor da UFSCar
- Caio Mania (Caio Gustavo dos Santos) – Patriotas
- Mariel Olmo – PP
- Atual secretário de Conservação e Qualidade Urbana do governo Netto Donato
A diversidade de perfis mostra uma disputa pulverizada, o que pode dificultar a consolidação de um único nome forte no município.
O papel do deputado federal
O deputado federal representa o estado na Câmara dos Deputados, em Brasília. Suas atribuições incluem:
- Criar e votar leis que valem para todo o país
- Fiscalizar o presidente da República e ministros
- Aprovar o orçamento da União
- Destinar emendas parlamentares federais para estados e municípios
Na prática, é o deputado federal quem pode garantir grandes recursos federais, obras estruturantes e programas nacionais para as cidades.
Pré-candidatos a deputado federal com base em São Carlos
Entre os nomes citados estão:
- Raquel Auxiliadora – PT
- Bruno Zancheta – Republicanos
- Maria Aires – PSB
- Mestre Taroba (Antonio Zacarias da Silva) – ligado à área esportiva
Assim como na disputa estadual, o cenário federal também aponta fragmentação de votos.
Eleitorado limitado e abstenção elevada
Os números da eleição municipal de 2024 ajudam a explicar a dificuldade que São Carlos enfrenta para eleger deputados:
- Eleitores aptos: 197.316
- Comparecimento: 140.996 eleitores (71,46%)
- Abstenção: 28,54%
Embora a abstenção tenha sido menor que a de 2020, período marcado pela pandemia, ela ainda é considerada alta quando comparada a 2016, quando ficou em 21,02%.








