São Carlos em 2050: uma cidade um pouco maior e muito mais idosa

O planejamento de uma cidade é algo complexo e desafiador, por isso, não pode ficar refém dos curtíssimos ciclos políticos a cada quatro anos. Bons gestores públicos e uma sociedade civil organizada devem traçar planos a longo prazo para antecipar tendências e planejar o desenvolvimento sustentável de sua comunidade.

Como meu artigo de estreia no São Carlos em Rede, resolvi coletar as projeções populacionais feitas pela Fundação SEADE, órgão oficial de estatística do Estado de São Paulo e comparei dois momentos, o ano de 2019 e 2050, apenas 30 anos de distância.

Obviamente, os dados estatísticos estimados para compreender a demografia de uma cidade não podem ser entendidos como verdade única e incontestável, contudo, são uma poderosa ferramenta analítica disponível e gratuita para refletirmos acerca de questões tão importantes, como é o futuro de nossa cidade.

O IBGE e a Fundação SEADE estimam que São Carlos possui cerca de 240/250 mil habitantes, e a pirâmide etária nos mostra uma cidade que já possui um número de adultos (+19 anos) bastante representativa, assim como um população idosa também significativa quando comparado com os jovens (até 19 anos).

Contudo, a surpresa vem abaixo:

Num curto espaço de tempo, apenas 30 anos, a cidade pode ter sua formação demográfica altamente modificada, e isso precisa ser pensado já! Mais uma vez, é necessário ressaltar que essa projeções não significam trajetórias certas e imutáveis, mas devemos considerar seriamente as tendências que esses dados alarmantes nos mostram.

Como visto nos dois gráficos, São Carlos 2019 e 2050 tem grandes diferenças entre si, e isso muda tudo! Toda infraestrutura urbana de serviços e bens públicos vão ter um novo perfil de “cliente”, sobretudo aqueles com mais de 60 anos, principalmente as mulheres.

Entender esse fenômeno é fundamental para qualquer gestor público que queira liderar a cidade da tecnologia num caminho sustentado. A cidade precisará ser totalmente replanejada, pensando para um novo perfil demográfico, que apresenta novas demandas e desafios para o serviço público e para a sociedade como um todo.

Sem isso, corremos o risco de que em pouco tempo, acumulemos os problemas e gargalos do século passado com os novos desafios do século XXI.

Guilherme Rezende

Administrador Público (UNESP) e Mestre em Administração Pública (FGV).

Embaixador Politize e membro da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS).