São Carlos não está livre da Febre Amarela, avalia especialista

Febre Amarela: risco existe

Do Jornal Primeira Página, Fabio Taconelli

O professor Bernardino Alves Souto, do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é categórico ao tratar da prevenção da febre amarela e outras arboviroses como a dengue: o saneamento evita tais males, ao passo que as políticas adotadas nos municípios são falhas.

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo prorrogou até o próximo dia 16 de março a campanha de vacinação preventiva contra a febre amarela na capital paulista e em outros 53 municípios do Estado – São Carlos está fora da relação, mas disponibiliza vacinas a quem for viajar para áreas de risco.

Nos dois primeiros meses deste ano, 6,6 milhões de paulistas foram vacinados contra a doença, número bem próximo das 7,4 milhões de pessoas imunizadas ao longo de 2017. Entre os anos de 2007 e 2016 foram vacinadas 7 milhões de pessoas. Ou seja, em um ano e dois meses foram aplicadas no Estado o dobro de doses em comparação ao período de uma década.

Segundo o Ministério da Saúde, a febre amarela tem, como sintomas, dores de cabeça, febre, dores pelo corpo, calafrios e náuseas. Pele e olhos amarelados e urina escura, além de vômitos, sangramento de gengiva, nariz, estômago e intestino são características da fase avançada da doença, conhecida como fase tóxica.

“Não temos febre amarela urbana no Brasil, mas a silvestre. Aqui perto, na região de São Carlos, há casos de febre amarela, de maneira que São Carlos não está fora da área de risco”, ponderou o professor da UFSCar.

“A febre amarela ainda não urbanizou no Brasil, foi urbanizada em outras épocas, mas há um risco grande, assim o Estado de São Paulo deve ficar atento”, comentou.

Eficiência

Uma outra preocupação do especialista quanto a outras arboviroses como dengue e chikungunya, é o combate ao mosquito aedes aegypti. “Os municípios precisam de políticas de combate ao aedes. Para isso, é necessário o saneamento, a coleta e a reciclagem do lixo, além da educação das pessoas. Sem isso, não conseguiremos combater esses desagravos”.

Para o professor da UFSCar, os municípios pecam nas políticas sociais. “Tanto é que as epidemias de dengue, que voltaram na década de 1980, pioram cada vez mais e as medidas sanitárias não acontecem à medida que é necessário”, explicou. “O gerenciamento de resíduos funciona precariamente e nunca houve políticas responsáveis nesse sentido em muitos municípios”, completou o professor.

Vacinação contra a febre amarela

As pessoas que ainda não receberam nenhuma dose da vacina ao longo da vida ou que perderam a carteira de vacinação devem procurar a unidade de vacina mais próxima da sua casa para agendar uma data para receber uma dose da vacina. Crianças de 9 meses e as pessoas que vão viajar e precisam do certificado internacional de vacinação tem prioridade na vacinação. As outras pessoas precisam fazer o agendamento.

Pacientes com imunidade baixa (portadores de HIV, por exemplo), transplantados ou pacientes submetidos à quimioterapia ou radioterapia devem ter orientação médica. Para gestantes, mulheres que estão amamentando e crianças com menos de 6 meses a vacina não é indicada.

Para pessoas com mais de 60 anos a vacina é indicada desde que o idoso esteja bem de saúde.