São Carlos no baixo clero da política paulista e brasileira

Sem deputados federais e estaduais São Carlos entrou para esta legislatura literalmente no baixo clero da política. Para uma cidade que já teve o mais longevo estadual, no caso Vicente Botta, fica claro que há uma falta homérica de representantes que aglutinem votos suficientes para conseguir uma eleição e assim representar o município quer seja no parlamento estadual ou no federal.

Podemos dizer que São Carlos neste momento é um município órfão, está no baixo clero da política local dependendo do auxílio de parlamentares de outras localidades e isso é muito ruim para a classe política são-carlense, pois a cada votação onde ninguém consegue ser eleito, ela se apequena ainda mais.

Somos quase zero em termos de representatividade atualmente e o prefeito de plantão, Airton Garcia, precisará correr atrás de seus contatos se quiser conseguir alguma coisa para a cidade com parlamentares, afinal de contas Lobbe Neto capotou na eleição para a Câmara Federal e agora goza de sua polpuda aposentadoria de parlamentar, assim como outros candidatos a estadual sequer passaram perto de uma cadeira. A única chance fica com Julio Cesar que poderá assumir, caso uma deputada seja chamada para o governo Dória.  Mas isso é chance, não é certo, portanto não dá para contar com isso. É a mesma coisa de um pênalti, você acha que será gol, mas o goleiro pode pegar.

Sem nenhum eleito, seria o momento da classe política local fazer uma autocrítica das coisas que vem promovendo e notar que suas briguinhas e apostas durante os pleitos não estão dando mais certo, o estilo de fazer política mudou consubstancialmente e os políticos são-carlense ainda não perceberam isso, eles acham que a eleição ainda se ganha à moda antiga e hoje isso não é mais possível.

Atualmente, a mistura de candidato poderoso nas redes sociais e com trabalho social forte, o que lhe rende mídia, é o sucesso mais certo para uma eleição. Há abortos da natureza, mas que o “mercado eleitoral” deverá regular em pleitos próximos, contudo esses eleitos e que não servem para nada poderão durante quatro anos demonstrar toda a sua inépcia a frente de seus mandatos, e isso já estamos vendo. É tal da consequência democrática entrando em jogo.

No caso de São Carlos, nem isso iremos ter, os partidos locais parecem que não se empolgam e neste momento muitos já  estão preocupados com a sucessão municipal. De certa forma, estão corretos, pois essa é a próxima eleição que está no retrovisor, todavia sem a expressividade política nas maiores casas parlamentares do Brasil, São Carlos se transforma num município pequeno politicamente e com políticos que só pensam no mercado interno.

Ou repensamos essa estratégia ou veremos o resultado absurdo que estamos conquistando nas urnas se transformar numa tragédia ainda maior. Enquanto isso, discussões pequenas permeiam a tribuna da Câmara e a caravana continua passando em nossa frente.

Renato Chimirri