São Carlos perde o alfaiate Tain

Taim foi um grande alfaiate

Por Cirilo Braga

São Carlos perdeu nesta sexta-feira uma personalidade singular com o falecimento, aos 89 anos, do estimado Paschoal Luiz Catóia, o Tain Alfaiate, um mestre que soube honrar a melhor tradição são-carlense na alfaiataria.

Eu o conheci cerca de 25 anos atrás, quando Tain já há tempos consolidara seu nome como uma grife. Em seu ateliê na rua Coronel Marcolino Lopes Barreto, ao lado da Cemei Conego Manoel Tobias, o parque infantil da Vila Nery,  cativava pelo jeito simples e cordial com que tratava como um velho amigo quem aparecesse por ali. Talvez o Tain conhecesse desde cedo a frase do artista que disse: “A simplicidade é o último grau da sofisticação”.

Nasceu em 1931 e na adolescência, em tempos de guerra, obedeceu ao anseio de seu pai, para quem os filhos deveriam aprender desde logo uma profissão. Optou pela alfaiataria, segmento emergente na cidade.  Em 1944, quando completava 13 anos, se tornou  aprendiz na alfaiataria Pucci & Borghesan. Gostou tanto do que encontrou por lá que abraçou a profissão à qual se dedicaria pela vida toda.

O ofício não lhe foi somente o ganha-pão, mas um prazer e motivo de orgulho do jovem cujo talento construiu um estilo. Seu capricho e precisão no corte personalizavam cada peça de sua criação. Tain literalmente entendia do riscado.

Assim, amealhou um considerável roll de clientes que incluiu autoridades públicas, artistas e gente que vinha de longe em busca de um terno com a marca do profissional são-carlense. Romeu Tuma, Ronald Golias, Marcelo Picchi (no casamento com Elizabeth Savalla), e o atleta Nenê Hiário (ao se apresentar na NBA) foram alguns de seus clientes.

Mais de sete décadas se passaram e ainda no final do ano passado, ele estava ali, trabalhando como se tudo ainda estivesse no começo.

Se o tempo voltasse –  ele confidenciou certa vez –   optaria novamente por ser alfaiate. Mas o tempo avançou e nesta sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021, Paschoal Luiz Catóia, o Tain, partiu.

Deixa a lembrança do homem honesto, amigo de todos – e a marca de sua arte, com a qual o nome Tain permanecerá como a estampa no bolso interno do paletó, bem perto do coração.