São Carlos tem o menor número de mortes de COVID-19 por 100 mil habitantes em SP

São Carlos tem menor número de mortes

A Comissão de Estudos Epidemiológicos para Enfrentamento da COVID-19 da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) divulgou na última terça-feira (15/10) a classificação das cidades do estado de São Paulo com mais de 100 mil habitantes no indicador “mortes por COVID-19”. São Carlos é a primeira da lista com 18,3 mortes por 100 mil habitantes. Neste momento a cidade contabiliza 48 óbitos pelo novo coronavírus, com 3.280 casos positivos da doença.

Vários fatores colaboram para que esses números não aumentassem, entre eles a agilidade na tomada de decisões, já que São Carlos foi uma das primeiras cidades do estado a decretar o isolamento social, mesmo antes do Governo do Estado. Por meio do decreto nº 115, publicado em 14 de março, determinou a suspensão de eventos que causassem aglomeração. Na sequência nenhum alvará foi emitido para realização de eventos esportivos, artísticos, culturais, políticos, científicos, comerciais ou religiosos.

Em 18 de março criou o Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da COVID-19 e no dia 19 de março publicou novo decreto, o de nº 120, suspendendo as atividades no âmbito das repartições públicas, exceto as consideradas prioritárias para o atendimento ao munícipe. No dia 20 de março endureceu mais as medidas de isolamento e distanciamento social por meio do decreto nº 140, determinando o fechamento do comércio em geral, de serviços de alimentação de consumo no interior do local, restaurantes, lanchonetes, bares, academias, cinemas, clubes de lazer, casas de festas e eventos, boates, buffets em geral e shopping centers.

Para garantir que essas regras fossem cumpridas pela população, no dia 25 de março a Força-tarefa, composta pela Guarda Municipal, Departamento de Fiscalização da Prefeitura, Polícia Militar, Vigilância Sanitária e PROCON, entrou em ação. Naquele momento São Carlos disponibiliza somente 8 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e precisava garantir o máximo de isolamento social para que o vírus não se disseminasse rapidamente e algum munícipe corresse o risco de ficar sem atendimento no caso de contaminação.

“Desde o início da pandemia a Força-tarefa trabalha diuturnamente para garantir o cumprimento dos protocolos sanitários exigidos pelo Ministério e Organização Mundial de Saúde. Até agora já foram feitos 412 turnos e tudo isso graças à colaboração dos agentes da GM, dos fiscais da Prefeitura e dos policiais da operação delegada que se dispõem fazer horas extras, principalmente no período noturno e aos sábados, domingos e feriados, já que o trabalho aumentou muito, principalmente em virtude de denúncias que recebemos pela Central da Guarda pelo telefone 153. Mas tudo isso já era previsto e entra nos gastos para a COVID-19 que até o momento totalizam R$ 17.532.804,44. São recursos repassados pelo Governo Federal, do Estado e recursos próprios e que permitem o pagamento de horas extras, ticket alimentação e demais benefícios necessários para o cumprimento das tarefas relativas a pandemia”, ressalta Samir Gardini, secretário Municipal de Segurança Pública.

De acordo com o diretor de Fiscalização da Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Rodolfo Penela, o município também precisa cumprir o que determina a Vara da Fazenda Pública através de Ação Civil Pública do Processo Digital 1004103-86.2020.8.26.0566. “A justiça reconhece que o trabalho da Força-tarefa é essencial para evitar a disseminação da COVID-19 no município. Em outra ação civil pública, Processo Digital 1004103-86.2020.8.26.0566, impôs ao município a obrigação de cumprir o Decreto Estadual nº 64.881/2020 com medidas restritivas e de acordo com as peculiaridades locais. Além disso, existe a sentença, Processo Digital 1003307-95.2020.8.26.0566, exigindo que o município proíba a realização de passeatas, carreatas, manifestações ou qualquer outro comportamento indevido que impliquem em aglomeração de pessoas. Como temos um número pequeno de fiscais, se não instituíssemos o pagamento de hora extra, não tínhamos como cumprir essas determinações e fiscalizar todas as regiões da cidade”, explica Penela lembrando que os fiscais escalados são somente os que se declaram disponíveis para trabalhar no período noturno e aos finais de semana.

Já Michael Yabuki, comandante da Guarda Municipal, confirmou que a Central da corporação já recebeu 3.309 denúncias de aglomerações. “São denúncias de festas funk, bailes, pancadões, eventos esportivos, descumprimento de horários para atendimento presencial de bares e restaurantes e de estabelecimentos comerciais no geral. Além das demandas normais da GM, incorporamos todas as ações da Força-tarefa, inclusive acompanhamos até fiscalização em filas de banco e uso de máscaras. Averiguamos 2.227 estabelecimentos, fechamos 284, notificamos 583, interditamos 204 e acompanhamos a Vigilância Sanitária em 856 vistorias. Os nossos agentes também trabalharam nas 4 etapas do programa “Testar para Cuidar” que aplicou 4 mil testes de COVID-19. A escala de horas extras é feita pelo sistema de gerenciamento da Guarda. Os agentes que se disponibilizam fazer horas extras entram no sistema e preenchem o formulário”, garante Yabuki.

SAÚDE – a Prefeitura também se preparou para enfrentar a pandemia por meio de várias ações através da Secretaria de Saúde. A primeira providência foi a instalação de leitos de UTI/SUS específicos para COVID-19. Em 15 de abril a Santa Casa, prestadora de serviço do município, iniciou o atendimento em ala montada no hospital para atender pacientes com suspeita de COVID-19. Inicialmente foram instalados 32 quartos. Desses, 24 leitos de enfermaria e 8 de UTI. Hoje a Santa Casa tem 18 leitos de UTI/SUS para COVID, sendo 4 infantis. Até o mês passado foi a Prefeitura que bancou o custeio desses leitos (R$ 1,4 milhão), agora o hospital já conseguiu credenciar esses leitos junto ao Ministério da Saúde. Os 10 leitos do Hospital Universitário (HU/UFSCar), inaugurados em 15 de maio, durante os três primeiros meses de funcionamento também foram custeados pela Prefeitura, totalizando R$ 1,1 milhão. Hoje o HU também já conseguiu o credenciamento.

Outra ação imediata foi a contratação de 10 mil testes tipo RT-PCR – SARS CoV 2 – COVID-19, para a testagem dos usuários SUS nas unidades de saúde. Todos que procuram atendimento nas unidades básicas, de saúde da família ou de pronto atendimento com sintomas gripais são submetidos ao exame. No total já foram testadas nas unidades de saúde com exame do tipo PCR, 9.992 pessoas, sendo que 7.859 tiveram resultado negativo para a doença e 2.078 apresentaram resultado positivo. Esses números são atualizados diariamente pelo boletim do município e disponível no site http://coronavirus.saocarlos.sp.gov.br.

Pelo “Testar para Cuidar, Programa de Mapeamento da COVID-19”, realizado em parceria com a Santa Casa, Statsol, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Hospital Universitário (HU) e Unimed São Carlos, um dos maiores levantamento da doença no país, a Prefeitura adquiriu mais 5.600 testes do tipo ELISA. Realizando em 4 etapas, o “Testar para Cuidar” contou com a participação de 3.914 pessoas, 70% dos convocados para o levantamento. Uma nova etapa está em andamento e os restantes dos testes estão sendo aplicados.

O município também já aplicou mais de 7 mil testes conhecidos como rápidos ou sorológicos. Os testes foram enviados pelo Ministério da Saúde e doados pela iniciativa provada e foram utilizados para a testagem de profissionais de saúde, profissionais da segurança pública, da educação e de residentes de Instituições de Longa Permanência para Idosos.

Para o secretário de Saúde, Marcos Palermo, o trabalho da Força-tarefa é importantíssimo para alertar a população que em alguns momentos esquece que a pandemia não acabou. “Essas operações da Força-tarefa nos ajudam a proteger as estruturas hospitalares. A quarentena e o distanciamento social, aliados à higienização mais intensa, são as formas mais eficazes para prevenir o contágio do coronavírus de forma coletiva. Temos que evitar colapsos no sistema de saúde por sobrecarga de leitos de UTI, como aconteceu na Itália e Espanha. Nenhum país tem recursos ou profissionais suficientes para cuidar de toda a população contaminada ao mesmo tempo”, alerta do secretário.

A Prefeitura também redobrou os cuidados nas repartições públicas, principalmente nas unidades de saúde, quanto a disponibilidade e uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e tornou obrigatório o uso de máscaras faciais de proteção em todo o município.