
Muito se fala sobre a importância da terapia, do autoconhecimento e da necessidade de saber lidar com todos os traumas e medos que nos acompanham no caminhar da vida. Fala-se sobre a culpa dos que nos criaram (e acompanharam) na construção das cercas que inibem cada um de nós de viver uma vida cheia de coragem para adentrar o universo dos bem-sucedidos — seja lá o que isso signifique.
Claro que se autoconhecer é poderosíssimo, e um setting terapêutico pode ser uma importante ferramenta nesse caminhar. Também não podemos negar que o histórico de vida que carregamos faz parte do complexo quebra-cabeça de quem somos hoje.
Mas é preciso falar da dor que acompanha o processo de olhar para dentro de si, pois ela nos mostra que, apesar dos fantasmas do passado, no aqui e agora somos os únicos heróis que podem nos salvar. (Acreditem: é um lugar solitário esse de tomar para si as rédeas do próprio destino.)
Entender os tortuosos trilhos que o trem da vida percorreu pode até nos contar sobre a estação na qual descemos, mas jamais dita os rumos que a viagem pode tomar. Fincar os pés nas pedras do caminho que causaram tantos tropeços pode nos deixar com o olhar exageradamente voltado ao chão, impedindo que contemplemos a paisagem ao redor.
Se autoconhecer e entender as cicatrizes emocionais tatuadas em nossa alma só traz libertação quando vem acompanhado da compreensão de que o passado é lugar de visita, não de morada; o futuro é horizonte, mas é somente no presente que se constrói o porvir.
Podemos — e muitas vezes somos — vítimas em diversas narrativas, mas só a capacidade de entender nosso protagonismo nos permite acessar a profunda verdade das palavras de Sartre:
“O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.”
Kandy Mattos
Psicóloga – CRP 06/138229
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📧 kandy.mattos@gmail.com








