Se você for à folia de Carnaval em São Carlos, pode ficar sem a apoteose de uma vaga na UTI

O carnaval é legal, gostoso e faz bem para alma, né? Todo o brasileiro e são-carlense já participou de um bailinho, bloco e escola de samba alguma vez na vida, mas nesse ano não poderemos fazer nada. Sobretudo nós, são-carlenses, que estamos com as UTIs abarrotadas de internados com COVID-19, somente ontem registramos quatro mortes, Araraquara hoje, teve mais seis óbitos e vemos a região com quase 93% das vagas de UTIs em uso. Não é errado falar, estamos no inferno no que diz respeito à pandemia de COVID-19 e demoraremos pelo menos mais uns 20 dias para visualizarmos alguma melhora, isso se as pessoas colaborarem.

Pessoas da Prefeitura estão muito preocupada com os quatro dias que seriam de folia, pois temem a realização de festas clandestinas, reuniões diversas e com muita gente em chácaras, jogos de futebol, famílias se reunindo para fazer churrasco. Todos esses gatilhos já elencados são potenciais transmissores de COVID-19 e ainda mais agora que a pandemia tem contaminado e internado pessoas mais jovens e com sintomas de paralisia renal, o que leva à hemodiálise e em muitos casos à morte.

Se os encontros ocorrerem em São Carlos a brincadeira de Carnaval para muita gente pode acabar mal, numa cama de hospital ou até mesmo sem cama de hospital, porque o sistema está saturado e pessoas poderão ficar sem UTis para atendimento e isso invariavelmente pode acabar em mortes que poderiam ser evitadas se as regras de respeito à vida nestes tempos tristes fossem observadas.

O Natal, o Ano Novo e as praias, além das reuniões em chácaras e áreas de lazer foram responsáveis por essa segunda e pesadíssima onda de COVID-19 que assola São Carlos e região e se o Carnaval seguir a mesma linha o sistema colapsará e não adianta ninguém dizer o contrário e vir com reza, óleo ungido e arminha de bolsominion, porque isso não funcionará. Corremos o sério risco de ver o quadro da cidade piorar se desrespeitarmos os pedidos da área de saúde para ficarmos distantes de outras famílias e saímos apenas para fazer o essencial.

Não é hora de colocar o bloco na rua, para lembrar carnavais antigos. Se conseguirmos vencer essa batalha e a curva vacinal brasileira subir cada vez mais rápido, em breve poderemos até fazer um carnaval temporão para comemorar que esse período nefasto passou, mas por enquanto é melhor deixar a fantasia no guarda-roupa e o confete e a serpentina no armário. Não há o que comemorar!

Renato Chimirri

Imagem de S. Hermann & F. Richter por Pixabay