Sem ajuda Federal ou Estadual, Prefeitura busca acordo com empresas para fazer obras contra as enchentes em São Carlos

Prefeitura segue buscando recursos/Maurício Duch

Depois da chuva de 50,4 mm que caiu no dia 14 de novembro em São Carlos, a Prefeitura novamente teve muito trabalho e a cidade enfrentou problemas. Neste dia, choveu das 17h25 até às 18h30 e a Prefeitura atendeu pelo menos 50 famílias que tiveram algum tipo de problema, como alimentos molhados, roupas, colchões, telhas quebradas, etc). A Secretaria de Cidadania e Assistência Social está aberta neste sábado e as equipes continuam nos bairros atingidos atendendo as demandas das famílias. Foram registradas as quedas de 32 árvores, sendo 5 de grande porte e muitos resíduos incluindo lama, solo, restos de materiais de alvenaria e vegetais já foram retirados das vias públicas e córregos, no total mais de 40 toneladas. Os bairros que acabaram atingidos foram:

– Santa Angelina (14 residências destelhadas – todas as famílias já atendidas pela Cidadania e queda de poste da CPFL);

– Cidade Aracy (6 residências com alagamento);

– Lagoa Serena

Triste realidade

A Prefeitura de São Carlos desde janeiro de 2020 pediu recursos aos governos federal e estadual para obras contra as enchentes, mas pelo jeito até agora não foi contemplada com muito.

Em 12 de janeiro de 2020, depois da primeira chuva torrencial que atingiu a cidade, a Prefeitura pediu recursos ao Estado tanto que no dia 13/01 a equipe da Defesa Civil do Estado esteve no município para fazer uma vistoria, na oportunidade ficou confirmado que a cidade foi a mais castigada da região.

De acordo com o coordenador regional da Defesa Civil, Amarildo Callegari, disse à época, o relatório seria encaminhado para o governador João Doria. “O estrago foi grande, tanto que o governador determinou que a vistoria fosse realizada imediatamente. Com a elaboração desse material o Governo do Estado vai ter a dimensão exata dos estragos e como poderá ajudar o município com parcerias e obras de combate às enchentes”.

Já no dia 15/01 o Prefeito Airton Garcia já estava em Brasília pedindo recursos ao ministro do Desenvolvimento Regional do Brasil, Gustavo Henrique Rigodanzo Canuto. De acordo com ministro, o Governo Federal estava disposto a ajudar. “Vamos ajudar, com certeza, mas existe um rito que é necessário que seja cumprido. O primeiro é o reconhecimento da situação de emergência, reconhecimento federal, pedido que a Prefeitura já está fazendo para poder acessar os recursos da Defesa Civil”, disse.

Ofiícios

Diversos ofícios foram encaminhados também ao Secretário de Desenvolvimento Regional do Estado, Marco Vinholi, ao secretário Nacional de Proteção de Defesa Civil, Lucas Alves, ao coronel Walter Nyakas (Chefe da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil do Estado) e para deputados federais solicitando emendas.

Tromba d’água em 12 de janeiro

Neste dia, a chuva precipitada foi de 167,8 mm. Este foi o maior volume de chuvas dos últimos 15 anos. A média de chuvas para o mês de janeiro em todo este período costumava ficar na casa de 250 mm. O local mais castigado novamente foi a região do Mercado Municipal. A água atingiu 1,50 metros invadindo 120 lojas. Na Rotatória do Cristo a água ultrapassou 2,50 metros inclusive um ciclista ficou ilhado na rotatória e foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros

Chuva de 26 de fevereiro

Em 26 de fevereiro, a chuva foi de 70 mm. Desta vez a Baixada do Mercado, Centro Comercial da cidade, não foram atingidos. O caso mais grave foi registrado na Praça Itália onde um veículo tentou enfrentar o alagamento, porém ficou retido embaixo do pontilhão. Os ocupantes do veículo nada sofreram. Nove residências localizada no bairro Cidade Aracy foram invadidas pela água e os moradores perderam muitos móveis e objetos. Parte da pista da rua João Ramalho, esquina com Benedita Staal Sodré, no Jardim Centenário, também foi interditado em virtude do desmoronamento de parte das margens do córrego Santa Maria Madalena. O prolongamento da avenida Trabalhador São-carlense ficou alagado e permanece interditado, assim como a alça de acesso pela avenida Tancredo Neves para Alameda das Quaresmeiras. Outro trecho interditado fica na avenida Francisco Pereira Lopes (região do antigo restaurante Casa Branca).

Sem ajuda, a Prefeitura realizou obras com recursos próprios:

Aqui estão elencadas ações promovidas pela Prefeitura com recursos próprios para combater as enchentes:

– Desassoreamento de todos os córregos, com contenção dos taludes para segurar a erosão, um investimento de R$ 800 mil;

– Drenagem e recuperação das galerias pluviais – R$ 200 mil;

– Construção de novos muros e colocação de grades metálicas na beira dos córregos – R$ 400 mil;

Outros R$ 650 mil recuperação das galerias e do leito do córrego da rua São Paulo, na região do novo Fórum;

– Piscinão da CDHU – Obra em Andamento – R$ 1,2 Milhão;

– Recuperação – Episcopal entre as ruas Geminiano Costa e Santa Cruz, obra realizada por contratação emergencial no valor de R$ 300 mil.

Acordo com a Rumo Logística também propicia obras contra as enchentes

Representantes da Concessionária RUMO apresentaram em 17 de setembro ao prefeito Airton Garcia, os projetos de três grandes obras que a empresa executará em São Carlos:

– Passagem inferior da Praça Itália, com 4 pistas;

– Duplicação do viaduto da Estação Ferroviária e da passagem sobre a linha na Vila Morumbi, na região da CDHU, com a construção de passarela para pedestres com três rotatórias. Um investimento total de R$ 50 milhões;

– A RUMO também anunciou a vedação de todas as faixas de domínios com a construção de muros mistos para evitar que as pessoas transitem nessas áreas.