Sem dinheiro, UFSCar recebe doações até por PIX para financiar permanência estudantil

UFSCar recebe doações

Quase R$ 70 mil já foram doados – por pessoas físicas e empresas, ao CRIE (Captação de Recursos para Investimento em Equidade), Programa de Fomento à Permanência Estudantil da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). “As Instituições Federais de Ensino Superior passam por um momento de muita dificuldade orçamentária. Apenas na Assistência Estudantil, nos últimos dois anos, a UFSCar teve um corte de R$ 2,2 milhões. O CRIE surgiu pra gente sobreviver a esse momento, já que as pessoas mais impactadas são as que estão em maior situação de vulnerabilidade”, lembra Djalma Ribeiro Junior, Pró-Reitor de Assuntos Comunitários e Estudantis da UFSCar.

Aprovada em abril pelo Conselho Universitário, a iniciativa passou por uma série de tramitações ao longo dos últimos meses buscando solidez, segurança e transparência. A governança fica por conta de um Comitê Gestor aprovado pelo Conselho de Assuntos Comunitários e Estudantis (CoACE) da UFSCar, que tem a participação de alunos de graduação e de pós-graduação, além de professores e técnicos administrativos. De acordo com o Pró-Reitor, ao mesmo tempo em que a equipe administrativa da Universidade segue batalhando para ampliar os investimentos do Governo Federal para garantir o direito à permanência estudantil aos alunos, é preciso apelar para a solidariedade das pessoas que podem colaborar.

Gabriel Moutinho da Silva, graduando do curso de Ciências Sociais da UFSCar, é bolsista e representante discente no Comitê Gestor do CRIE. Ele conta que milhares de alunos entram na Universidade precisando de assistência estudantil, pois não sabem como fazer para permanecer cursando o nível superior. “Muitos cursos são integrais e as pessoas não têm como trabalhar para se manter. O CRIE é um projeto incrível, que tem muito a contribuir para a permanência estudantil”, afirma. Tatiana Nicéas, graduanda do curso de Gestão e Análise Ambiental, também bolsista da Universidade e integrante do Comitê Gestor do CRIE, alerta que é importante defender a permanência estudantil com unhas e dentes. “Não podemos deixar os direitos conquistados com tanta luta serem retirados. É obrigação do Governo investir na Educação” diz.

Professores da Universidade também contribuíam com ações em prol do CRIE. Em julho, todas as taxas de inscrição para a I Escola Solidária de Altos Estudos do Discurso (ESAED), promovida pela UFSCar, foram doadas para o Programa, totalizando aproximadamente R$ 13 mil. “Com os sucessivos cortes de recursos, a situação financeira das universidades federais do país vem se agravando, se tornando praticamente insustentável, especialmente, no que concerne aos programas de permanência estudantil. Nosso gesto científico e solidário vai na direção de chamar a atenção de toda a comunidade para a gravíssima situação que milhares de nossos alunos estão passando”, disse Roberto Leiser Baronas, professor do Departamento de Letras da UFSCar e coordenador da iniciativa inédita.

As doações possibilitam o desenvolvimento de novos editais para áreas que têm necessidades, mas que não são contempladas dentro do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), como, por exemplo, graduandos da modalidade a distância e pós-graduandos. “Levamos um diagnóstico da nossa situação, discutimos as maiores emergências dentro das nossas possibilidades e, neste primeiro momento, foi identificada a necessidade de contribuir com a permanência estudantil de estudantes com deficiência da Universidade”, explica Djalma Ribeiro Junior.

Dessa forma, a UFSCar abriu inscrições para o primeiro Edital promovido com doações recebidas pelo CRIE. Estudantes de graduação e pós-graduação strictu senso, na modalidade presencial ou a distância, que tenham algum tipo de deficiência (física, visual, múltipla, intelectual ou TEA) e renda familiar de até dois salários mínimos por pessoa podem participar do processo seletivo. Serão distribuídos 50 Auxílios Inclusão e Acessibilidade, no valor de R$ 900 cada (parcela única), para subsidiar a compra de equipamentos ou ferramentas de tecnologia assistiva, materiais de cunho educacional ou a contratação de serviços relacionados às necessidades dos estudantes. No total, R$ 45 mil serão investidos na inclusão social, na qualidade de vida, na independência e autonomia dos estudantes.

Os interessados devem se inscrever até o dia 12 de outubro, pelo formulário online disponível no edital, em www.bolsas.ufscar.br. Os candidatos deverão comprovar a condição de deficiência por meio de laudo médico, assim como comprovar a condição de vulnerabilidade socioeconômica. O resultado do Edital, elaborado pelo Comitê Gestor e aprovado em reunião do Conselho de Assuntos Comunitários e Estudantis (CoACE) da UFSCar, será divulgado no dia 12 de novembro, com pagamento via Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI) da Universidade. A correta aplicação dos recursos do Auxílio Inclusão e Acessibilidade será permanentemente acompanhada pela Instituição. A ação ainda conta com o trabalho da equipe da Coordenadoria de Inclusão e Direitos Humanos da Secretaria Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (SAADE).

“Estamos concretizando um projeto pautado nas questões solidárias e de empatia. Conseguimos caminhar até com uma certa rapidez, pensando que há 5 meses a gente estava aprovando o CRIE e, hoje, estamos aqui com o primeiro filho do programa. Obrigado a todos que colaboraram até aqui para construir uma Universidade mais democrática e inclusiva. Estamos muito felizes e esperançosos de que possamos abrir outros editais a partir desse movimento. Mas para isso acontecer é preciso ter mais doações. Quanto mais doações, mais ações a gente vai conseguir realizar”, ressalta o Pró-Reitor.

O CRIE recebe doações a partir de R$ 10 de pessoas físicas. Para empresas, o valor mínimo de colaboração é R$ 50. Contribuições de até R$ 500 devem ser feitas usando o código PIX crie@fai.ufscar.br. Colaborações acima desse valor podem ser realizadas pelo site bit.ly/crieufscar. É possível contribuir por débito automático, transferência bancária ou boleto.