Sem o Agnaldo, a amizade e o café no Centro de São Carlos não serão mais os mesmos

Um dia triste para a esquina mais famosa da cidade

Todo mundo que acompanha o dia a dia da cidade, que tem alguma ligação com a cobertura dos fatos já tomou um café no Dona Julia e durante décadas sempre foi atendido pelo Agnaldo com a cortesia de sempre. Ele era uma pessoa extremamente amável e gentil que servia a todos com carinho e isso fazia com que o cliente se tornasse um amigo e quando passasse por ali sempre parasse para tomar uma xícara de Ouro Brasileiro ou então pelo menos entrasse no prédio para dar um “salve” ao Agnaldo.

Sua partida repentina sendo mais uma vítima dessa terrível doença que é a COVID-19 abre um buraco no coração das pessoas. Já estamos tão tristes com tantos óbitos, 240 mil, uma cidade de São Carlos inteira já morreu para esse vírus implacável e cada vez mais estamos perdendo gente conhecida e querida, ou seja, ele (o vírus) está mais perto da gente, para nosso desespero. Hoje foi o querido o Agnaldo que se foi, aos 49 anos entristecendo toda uma cidade que nem sabe mais parar de chorar, pois conta óbitos dessa peste, como diz com correção o José Dieguez, todos os dias.

O falecimento do Agnaldo é um pouco da morte também da esquina mais famosa da cidade e que foi calada ao longo deste ano pela pandemia de COVID-19, pois ali sempre tínhamos o caminhar frenético das pessoas, aqueles que se movimentam pela política conversando na esquina e até dos doidos que nada tinham para fazer, mas que passavam o dia encostados naquelas paredes.

O Agnaldo que há anos observava aquela cena já estava acostumado. Ele corintiano, eu palmeirense, sempre que entrava seu bar conversávamos sobre futebol, de maneira sadia, dávamos risada sobre a situação e como tem sido comum recentemente ríamos dos são-paulinos que passam por uma fase de seca de títulos.

Dá para dizer que a gentileza, a atenção, a pessoa do Agnaldo farão muita falta, quando alguém como ele que servia e serviu a vida toda os seus clientes por anos a fio parte para a Casa do Pai é que temos a exata noção de como essas almas são importantes em nossa vida, pois elas fazem parte de nossa formação no cotidiano, com o Agnaldo a gente aprendeu a se comportar, a entender a importância de atender bem, de dar uma informação precisa, de demonstrar que está ali para o que você venha a precisar, ele ensinou para muitas pessoas o valor da dedicação, um sacerdócio silencioso que muitos não sabem entender.

Hoje a coador de café está calado e para dizer a verdade, nem sei se ele voltará a coar o café em São Carlos do jeito que era antes, pois quem mais entendia do assunto nos deixou e hoje estamos todos lamentando uma perda irreparável.

À família do Agnaldo fica nosso desejo de conforto espiritual e respeito nesse momento de dor, pois ele, tenham certeza, era muito querido por todos nós!

Renato Chimirri