Serginho partiu, mas seu legado de luta e esperança permanece vivo

A cidade de São Carlos está mais silenciosa nesta sexta-feira, 16. Partiu Sérgio Sanchez, o nosso Serginho, nome que não precisava de sobrenome para ser reconhecido, porque carregava em si uma história inteira de luta, sensibilidade e compromisso com a justiça social. Sua ausência não é apenas física: é um vazio que pesa, que aperta o peito e que deixa uma sensação de que algo essencial foi retirado do cotidiano de quem acredita em um mundo melhor.

Serginho foi mais do que um militante histórico do Partido dos Trabalhadores. Foi um construtor de esperanças. Como assessor do vereador Lineu Navarro, dedicou sua vida ao trabalho silencioso e persistente que quase nunca ganha manchetes, mas que sustenta a democracia, a política popular e a defesa dos que menos têm voz. Serginho entendia a política como um gesto de amor ao próximo, como uma ferramenta para diminuir distâncias, curar injustiças e semear dignidade.

Ele odiava a desigualdade não por discurso, mas por convicção profunda. Não suportava ver a exclusão naturalizada, o sofrimento tratado como estatística, a pobreza como destino. Para ele, cada pessoa importava. Cada vida merecia respeito, cuidado e oportunidades reais. Seu sonho era simples e ao mesmo tempo grandioso: um mundo justo, socialista, doce e fraterno. Doce porque acreditava na ternura como força revolucionária. Fraterno porque enxergava no outro não um adversário, mas um companheiro de caminhada.

Serginho foi, acima de tudo, um humanista. Alguém que acreditava que a política só faz sentido quando nasce do coração e retorna ao povo em forma de dignidade. Lutou por um Brasil soberano, por uma São Carlos bem administrada, desenvolvida, mas com os pés fincados no chão das periferias, das comunidades esquecidas, das famílias que mais precisam do olhar atento do poder público.

Sua partida tão precoce deixa uma lacuna irreparável . Não apenas entre os militantes, mas entre todos que ainda acreditam que é possível fazer política sem ódio, sem vaidade, sem interesses pessoais acima do coletivo. Serginho representava essa política rara, feita de coerência, simplicidade e compromisso real com o bem comum.

Hoje, São Carlos perde um de seus homens mais generosos. Perde uma voz que não se calava diante da injustiça. Perde um coração que batia no ritmo dos sonhos de igualdade. Mas sua história não termina aqui. Serginho vive na memória, nas lutas que ajudou a construir, nas sementes que plantou em cada conversa, em cada ação, em cada gesto de solidariedade.

Que sua trajetória nos lembre que é possível ser firme sem perder a ternura. Que sua ausência nos transforme em presença ativa naquilo que ele mais defendia: a construção de um mundo mais humano, mais justo e mais fraterno. Serginho partiu, mas sua causa permanece viva em cada pessoa que se recusa a aceitar a desigualdade como normal e que insiste em acreditar que a política pode, sim, ser um ato de amor.