
No início de setembro, período em que a estiagem costuma atingir seu auge no interior paulista, o fogo voltou a marcar presença de forma agressiva. Ao menos cinco cidades da região de São Carlos — Descalvado, Corumbataí, Porto Ferreira, São Carlos e Santa Rita do Passa Quatro — registraram incêndios nesta sexta-feira (5). Embora, felizmente, não haja registro de vítimas, o impacto ambiental e social desses episódios não pode ser tratado como mera fatalidade.
O cenário atual é resultado de uma combinação perigosa: calor intenso, baixa umidade relativa do ar e vegetação ressecada. Essa é a receita perfeita para a propagação das chamas, que se espalham com rapidez e dificultam o trabalho de contenção. Em Descalvado, por exemplo, a área destruída foi de cerca de 2 mil metros quadrados, atingindo inclusive plantações de eucalipto. Em Corumbataí, sítios rurais foram consumidos, colocando em risco não só o meio ambiente, mas também o sustento de famílias.
Apesar de o período de seca ser previsível, a resposta social e governamental ainda é frágil. Brigadistas, bombeiros e a Defesa Civil atuam com empenho, mas muitas vezes sem os recursos adequados para enfrentar a dimensão do problema. O que se vê, ano após ano, é a repetição de tragédias ambientais que poderiam ser mitigadas com ações preventivas mais firmes, como campanhas de conscientização, fiscalização de queimadas ilegais e investimento em estrutura de combate.
Outro ponto crítico é a investigação das causas. Embora alguns focos de incêndio possam ter origem natural, a maioria decorre da ação humana — seja por negligência, seja por prática criminosa. Queimadas para limpeza de terreno, bitucas de cigarro jogadas em áreas secas ou até mesmo atos intencionais de destruição ainda são comuns. Esperamos que as autoridades apurem essas situações.
Em plena crise climática global, continuar tratando incêndios florestais como eventos isolados é um equívoco perigoso. Eles comprometem a qualidade do ar, aumentam problemas respiratórios na população, reduzem a biodiversidade e ainda geram prejuízos econômicos significativos. Não é apenas a mata que queima: queima também o futuro da região, cada vez mais vulnerável a extremos climáticos.
O episódio desta sexta-feira deve ser visto como um alerta. A seca não pode servir de desculpa para a inércia, mas sim como justificativa para políticas públicas mais robustas. A região de São Carlos, conhecida por sua importância ambiental e agrícola, precisa encarar os incêndios como um problema coletivo, que exige responsabilidade compartilhada entre poder público, setor privado e população.
O fogo de hoje é a fumaça de um amanhã mais árido se nada for feito.
Foto: Defesa Civil.








