A sífilis continua sendo um desafio para a saúde pública de São Carlos. Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde revelam que o município contabilizou 282 casos de sífilis adquirida em 2026, até o dia 6 de outubro. O cenário preocupa as autoridades sanitárias, principalmente pelo número de infecções transmitidas de mães para bebês durante a gestação.
Em 2025, São Carlos registrou 417 casos de sífilis adquirida, um aumento de 21,9% em relação a 2024. Os números reforçam a necessidade de ampliar a prevenção, incentivar a realização de testes e garantir o tratamento adequado das pessoas diagnosticadas.
O alerta faz parte das ações do Outubro Verde, campanha dedicada à conscientização sobre a sífilis, uma infecção sexualmente transmissível (IST) que tem cura, mas pode provocar complicações graves quando não é identificada e tratada.
Sífilis congênita já supera os registros de 2025 em São Carlos
Um dos dados que mais chamam a atenção da Vigilância em Saúde é o avanço da sífilis congênita, quando a infecção é transmitida da gestante para o bebê.
Até 6 de outubro de 2026, o município contabilizou 22 casos de sífilis congênita, superando os 21 registros de todo o ano de 2025.
O aumento merece atenção porque a sífilis congênita pode provocar consequências graves, como parto prematuro, aborto espontâneo, natimortalidade e problemas de saúde no recém-nascido.
Entre as gestantes, São Carlos registrou 111 casos de sífilis em 2025, uma redução de aproximadamente 9% em comparação com os 122 casos contabilizados em 2024.
A Secretaria Municipal de Saúde ressalta que os números de 2026 são parciais e, portanto, não devem ser comparados diretamente com os resultados de anos completos.
Veja os números da sífilis em São Carlos
| Indicador | Registros |
|---|---|
| Sífilis adquirida em 2025 | 417 |
| Sífilis adquirida em 2026, até 6/10 | 282 |
| Aumento da sífilis adquirida em 2025 | 21,9% |
| Sífilis em gestantes em 2024 | 122 |
| Sífilis em gestantes em 2025 | 111 |
| Sífilis congênita em 2025 | 21 |
| Sífilis congênita em 2026, até 6/10 | 22 |
Quais são os sintomas da sífilis?
A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode apresentar diferentes manifestações ao longo da evolução da infecção.
Entre os principais sinais estão feridas geralmente indolores na região genital, na boca ou em outras partes do corpo, além de manchas na pele, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés.
Entretanto, a doença também pode permanecer sem sintomas aparentes, o que torna a testagem essencial para identificar a infecção.
Sem tratamento, a sífilis pode evoluir e comprometer órgãos como o coração, o cérebro e o sistema nervoso.
Testes e tratamento estão disponíveis gratuitamente pelo SUS
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que a população procure uma unidade de saúde para realizar o teste, especialmente após situações de possível exposição à infecção ou diante de sinais e sintomas suspeitos.
A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, destaca que o diagnóstico precoce é fundamental para interromper a transmissão.
“O diagnóstico e o tratamento são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e o uso de preservativo segue como uma das principais formas de prevenção. Para as gestantes, o acompanhamento pré-natal e a realização dos testes são considerados fundamentais para proteger a mãe e o bebê”, afirmou.
O tratamento da sífilis é realizado com antibióticos, sendo a penicilina benzatina o medicamento de referência. A avaliação e a prescrição devem ser feitas por profissionais de saúde.
Durante a gestação, o diagnóstico e o tratamento oportunos são especialmente importantes para reduzir o risco de transmissão da infecção ao bebê.
São Carlos terá oficina sobre sífilis nos dias 20, 21 e 22 de outubro
Como parte da programação do Outubro Verde, a Secretaria Municipal de Saúde realizará uma atividade de capacitação destinada aos profissionais da rede de saúde, maternidades e hospitais.
A oficina temática “Manejo de caso de sífilis: o que preciso saber?” acontecerá nos dias 20, 21 e 22 de outubro, das 13h30 às 16h, no Auditório do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
A iniciativa é desenvolvida em parceria com a UFSCar e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
A proposta é aprimorar o conhecimento dos profissionais sobre identificação, acompanhamento e tratamento dos casos, contribuindo para o enfrentamento da infecção no município.
A orientação das autoridades de saúde é que a população não espere pelo aparecimento de sintomas para procurar atendimento após uma possível exposição. A sífilis tem cura, e o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações e novas transmissões.