Só o professor pode lutar contra uma sociedade emburrecida

O professor é aquele cidadão que está na linha de frente em tudo. É responsável por fazer com que as pessoas descubram o mundo de maneira diferente. São os primeiros a dar noção de cidadania para alguém, de ressaltar a importância do indivíduo, de demonstrar que uma sociedade deve ser justa e pautada no saber e não em achismos tacanhos como o terraplanismo, por exemplo, teoria que malucos resolveram levar a cabo no Brasil e no mundo contrariando a experiência comprovada de ensino e ciência de muitos séculos.

Os mestres estão aí para brigar com o sistema, para mostrar que os políticos não ligam para a educação, haja visto aquilo que é oferecido em São Paulo, o estado mais rico da federação onde professores ganham um salário ruim e são obrigados a trabalhar em condições que não são de ideais, parece até que a frase do Darcy Ribeiro de que fazer a educação ser ruim é um projeto político faz mais sentido nos dias de hoje que no passado.

O educador deveria ser o centro da escola, a razão dela funcionar, não há política pedagógica mais eficiente que um professor com um bom salário e motivado. De que adianta ficar se gabando do tamanho da rede estadual, de ter dirigentes na ponta da cadeia que só bajulam governantes e esquecer de quem coloca a mão no giz e no apagador e enfrenta diariamente a realidade dos alunos, não é?

Recentemente, tive a oportunidade de participar de uma live sobre literatura com a professora Gabriela Ortelani da ETEC de Ibaté e pude sentir que seus olhos brilham pela educação e é disso que estamos falando, de gente que tem vontade, são para essas pessoas que os governos deveriam olhar, pois os políticos atualmente estão mais interessados em mostrar números frios para sociedade do que procurar entender o que se passa, por exemplo, numa escola estadual do querido bairro Cidade Aracy onde a realidade dos alunos é diferente daqueles que estudam na Vila Nery, por exemplo.

Qualquer político em campanha diz sem nem ficar vermelho de vergonha que sua prioridade é a educação, mas quando está no poder a primeira coisa que faz é cortar verbas dessa área sem qualquer justificativa, eles preferem uma nação emburrecida, do que formada por cérebros pensantes, afinal de contas, um povo instruído não quer saber de um governo composto por pessoas incompetentes.

Os professores deveriam ser a referência maior para qualquer noção de cidadania que possamos procurar, mas infelizmente até alguns alunos já perderam o respeito por quem se propõe a ensinar, basta ver o número de notícias sobre agressões a professores que tivemos ano passado.

Agora, com a pandemia, as aulas são remotas e vi muitos recalcados dizendo que os professores estão em casa sem fazer nada, quando na verdade precisam além de cuidar de suas famílias e suas casas preparar as aulas e cuidar dos filhos dos outros de maneira on-line e isso tem gerado uma série de doenças (inclusive mentais) nesses profissionais. Pai que não respeita e não entende um professor é um ser que deveria colocar a mão na cabeça e reavaliar seu modo de vida.

Dono de escola que cobra professor em plena pandemia é aquele cidadão que precisa entender que no futuro ele precisará desse mesmo profissional para manter o seu negócio e que, acima de tudo, educação não é negócio (mesmo que seja paga!), mas sim vida.

Governo incompetente que cria inúmeros programas para dizer que faz algo, mas não valoriza realmente quem coloca a mão na massa com um salário digno não merece receber voto de confiança nas próximas eleições. Enfim, o professor neste seu dia quer apenas respeito e até isso, ultimamente, ele tem precisado mendigar.

 

Renato Chimirri