
Mais duas vidas foram perdidas nesta quarta, 11, em um grave acidente na SP-215, a Rodovia Professor Luís Augusto de Oliveira, na altura de Dourado. A colisão frontal entre um carro e uma caminhonete deixou dois mortos e feridos, reacendendo uma discussão antiga e dolorosa para quem vive na região: até quando essa rodovia continuará sem duplicação?
Há décadas acompanho, como jornalista, o debate sobre a necessidade de melhorias nessa estrada. O trecho da SP-215 que liga São Carlos, Ribeirão Bonito e Dourado, terminando no conhecido Obelisco, onde se encontra com a Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, permanece sob responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem. E, apesar de inúmeras promessas ao longo dos anos, a duplicação simplesmente não sai do papel.
Quem percorre essa rodovia sabe que ela é estreita, movimentada e perigosa. Caminhões, carros de passeio, ônibus e outros veículos dividem praticamente o mesmo espaço. Em muitos pontos, ultrapassagens se tornam um risco inevitável, e é justamente nesses momentos que acontecem as tragédias.
Não se trata apenas de números em estatísticas de acidentes. São vidas interrompidas, famílias destruídas e histórias que terminam de forma brutal no asfalto. Cada cruz à beira da estrada é um lembrete silencioso de que algo precisa mudar.
A SP-215 não é uma estrada secundária sem importância. Ela conecta cidades importantes da região central do estado, movimenta a economia local, facilita o transporte de trabalhadores, estudantes e produção agrícola. Mesmo assim, continua com uma estrutura que já não corresponde à realidade do tráfego atual.
Enquanto outras rodovias do estado foram modernizadas, concedidas à iniciativa privada e duplicadas, esse trecho permanece praticamente como era décadas atrás. A sensação que fica para quem vive na região é de abandono e descaso.
A duplicação da rodovia não é luxo, nem capricho. É uma necessidade urgente de segurança pública. Cada ano de atraso representa mais riscos para milhares de motoristas que dependem dessa estrada diariamente.
Quantas mortes ainda serão necessárias para que o poder público tome uma decisão definitiva?
A tragédia registrada nesta semana não pode ser apenas mais uma notícia que será esquecida amanhã. Ela precisa servir de alerta e de pressão para que autoridades estaduais finalmente coloquem a duplicação da SP-215 como prioridade.
Porque estrada segura não se mede apenas em quilômetros de asfalto.
Ela se mede em vidas preservadas.
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