Tânia Carneiro, a Mãe de Santo mais querida de São Carlos, morre e abre um vazio em nossos corações

Mãe Tânia tinha 63 anos

Sabe aquela pessoa que sempre tinha um sorriso no rosto quando encontrava você? Exatamente! Essa era a minha amiga, a Mãe de Santo, Tânia Carneiro. Hoje, aos 63 anos, depois de uma luta contra uma grave enfermidade, Mãe Tânia nos deixou e foi para o Plano Espiritual e todos nós estamos desolados.

Eu não sou umbandista, sou católico praticante, porém sempre fui muito bem acolhido pela Mãe Tânia que era minha amiga pessoal. Ele nunca se furtou em passar conselhos para a minha vida, de me pedir ajuda em suas ações sociais e de mostrar a mim que Deus escolhe as pessoas certas para se manifestar e dar o caminho que devemos seguir. A Mãe Tânia Carneiro era uma escolhida de Deus, sempre gentil, alegre, educada, mas com a característica mais marcante de todas: ela falava o que realmente pensava.

Se via algo que a desagradava ou se precisasse lhe dar um puxão de orelha, a Mãe Tânia estava sempre pronta para ajudar e dizer o necessário, pois como ela mesma falava: a entidade me pediu para falar isso a você!

Uma vez, a Mãe Tânia pediu minha ajuda para divulgar uma ação social e por isso solicitou que eu fosse ao seu terreiro, a Tenda de Oxóssi, no Cruzeiro do Sul. Quando cheguei, ela me olhou e disse: “Menino, por que você está triste? O que são essas coisas ruins que você carrega hoje?”

Sem eu dizer nada, Mãe Tânia havia acertado que meu dia estava sendo difícil e me pediu para sentar numa cadeira no meio do terreiro. Ali, ela fez seu trabalho espiritual e antes perguntou se eu aceitaria tomar um Passe. Eu prontamente disse que sim e desta forma Mãe Tânia me benzeu (não sei se esse é o termo da Umbanda Sagrada). Depois de realizar o Passe parece que meu coração se acalmou tanto, tanto, que fiz a reportagem com toda a clareza possível e ali criei uma grande amiga.

Muitas vezes a ajudei com o que eu podia, muitas vezes fui até sua casa para conversar, trocar ideias e ganhar sua benção de Mãe de Santo, de Mãe de Família, de amiga mesmo, pois era isso que a querida Tânia Carneiro representava para a minha pessoa: uma amiga querida.

Sua partida tão cedo me deixa profundamente desolado e triste, porque hoje além das mortes por COVID-19 que estamos vendo, sou obrigado ainda a encarar mais essa tristeza, sabemos que São Carlos perdeu uma grande conselheira e uma lutadora contumaz contra as desigualdades e arbítrios de nosso mundo. Mãe Tânia era isso, uma mulher libertadora, que nasceu para tirar as amarras que nos seguravam e nos impediam de buscar uma nova vida. Certamente, uma pessoa deste tamanho não poderia viver apenas neste mundo, mas precisaria buscar outros “voos” em planos diferentes que eu, particularmente, tenho hoje dificuldades para entender.

A Mãe Tânia Carneiro me disse tantas coisas bonitas, tantas palavras cativantes, me ensinou a partilhar cada vez mais com o meu semelhante que já sinto profundamente a falta que ela fará em minha vida e na vida de outras milhares de pessoas.

Perdemos uma pessoa de luz, uma estrela gigante. Que a senhora nos ampare de onde estiver, querida Mãe Tânia! Eu jamais vou te esquecer! Um beijo!

Renato Chimirri

PS.: Ela será sepultada em Araraquara no dia de hoje, 19.