A Prefeitura de São Carlos homenageou nesta sexta-feira (13/3) a pesquisadora brasileira Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, reconhecida por suas contribuições científicas na área de medicina regenerativa, especialmente em estudos voltados ao tratamento de lesões medulares.
A homenagem ocorreu durante a edição 2026 do Ciência por Elas, realizada na Universidade de São Paulo (USP), campus de São Carlos. O evento reúne pesquisadoras e estudantes em um dia de debates, palestras e atividades de mentoria que destacam a importância da presença feminina na ciência.
Após a palestra, a cientista recebeu uma placa entregue por representantes da administração municipal: o vice-prefeito Roselei Françoso, a secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paula Knoff, e o secretário municipal de Saúde, Leandro Pilha.
A placa traz a seguinte mensagem: “À Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, em reconhecimento à sua brilhante trajetória científica e às valiosas contribuições ao avanço da biologia no Brasil. Uma homenagem da Prefeitura de São Carlos, a Capital Brasileira da Tecnologia”.
A pesquisadora é responsável pelo desenvolvimento da polilaminina, uma molécula inovadora criada em laboratório a partir de proteínas extraídas da placenta. O estudo, desenvolvido ao longo de mais de 25 anos, demonstrou que a substância pode atuar como uma espécie de “andaime biológico”, estimulando a reconexão de neurônios lesionados na medula espinhal.
Resultados experimentais conduzidos por sua equipe apontam avanços promissores, com relatos de pacientes com lesões medulares graves apresentando recuperação de movimentos.
Vice-prefeito fala que é uma honra receber a pesquisadora Tatiana Sampaio
“Para São Carlos, que é reconhecida como a Capital Brasileira da Tecnologia, é uma grande honra prestar esta homenagem à Dra. Tatiana Coelho de Sampaio. Sua trajetória científica representa dedicação, perseverança e compromisso com a vida. Pesquisas como a que ela desenvolve, voltadas à recuperação de lesões medulares, trazem esperança para milhares de pessoas e mostram a força da ciência brasileira. Valorizar nossas pesquisadoras e incentivar a presença das mulheres na ciência também é investir em um futuro mais inovador e humano”, disse o vice-prefeito Roselei Françoso.
O secretário de Saúde, Leandro Pilha, avalia ser uma grande satisfação participar deste momento de reconhecimento a uma pesquisadora brasileira que vem contribuindo de forma tão significativa para o avanço da ciência e da medicina. “A Dra. Tatiana Coelho de Sampaio representa o que há de mais inspirador na pesquisa científica: dedicação, persistência e compromisso em transformar conhecimento em esperança para as pessoas”.
“São Carlos é reconhecida como a Capital Brasileira da Tecnologia justamente por valorizar o conhecimento, a inovação e a produção científica. Homenagear a Dra. Tatiana é também reafirmar esse compromisso com a ciência e com aqueles que dedicam suas vidas a produzir descobertas capazes de transformar realidades”, finalizou a secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paula Knoff.
Pela relevância de suas pesquisas e pela esperança que seu trabalho representa para pessoas com paraplegia e tetraplegia, Tatiana Coelho de Sampaio é considerada um dos nomes de destaque da ciência brasileira com reconhecimento internacional.
O que é a polilaminina?
A substância foi descoberta por acaso pela professora Tatiana Sampaio, quando ela tentava dissociar as partes que compõem a laminina, uma proteína presente em várias partes do nosso corpo.
Ao testar um solvente, ela viu que, ao invés de se partir, as moléculas de laminina começaram a se juntar umas com as outras, formando uma rede, a polilaminina. Essa junção ocorre no organismo humano, mas nunca tinha sido reproduzida em laboratório.
A partir daí, Tatiana passou a pesquisar possíveis usos para a rede de lamininas e descobriu que, no sistema nervoso, essas proteínas atuam como base para a movimentação dos axônios, partes dos neurônios parecidas com caudas, responsáveis pela transmissão de sinais elétricos e químicos.
Quando ocorre uma fratura na medula, os axônios são rompidos, o que interrompe a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo, a partir do ponto em que foi o ferimento. Essa ruptura é a causa da paralisia.
Normalmente, as células do sistema nervoso não são capazes de se regenerar sozinhas. O que se pretende testar, portanto, é a capacidade da polilaminina de oferecer uma nova base para que os axônios do paciente voltem a crescer e se comunicar, restabelecendo a conexão que transmite os comandos do cérebro.
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