Tertúlia na web apresenta: Dimensões

A venda que impede a visão/Pixabay

Eu precisava escrever, de alguma forma a minha mente cortada por pensamentos doloridos me trouxe à lauda. Era para ser um texto piegas- talvez realmente seja- mas é o que estou sentindo, passando, vivendo…

Os dias mais frios sempre me reservaram surpresas estranhas. Um dia desses me peguei pensando em como conheci você e não sei explicar como essa identificação surgiu. Se eu pergunto, vem a resposta, se eu respondo, vem a pergunta e com ela a tortura de não poder fazer nada, de não poder estar por perto, de não sentir, de esquecer e de fingir que estamos numa galáxia muito distante.

Somos de ondas diferentes, porém ao mesmo tempo somos iguais, porque queremos a mesma coisa, mas não podemos, não nos sujeitamos, não viveremos (?), afinal temos destinos traçados que estão presos à vida que escolhemos por mais de uma geração esquecida e que se apoia no meio de convenções sociais tão importantes para eles, quanto o sentimento é para nós.

Ah, o sentimento! Esse ladrão das madrugadas, dos sonhos, dos sonos. O sentimento já se explica por si só, porque nada mais é que sentir e eu sinto, como sinto, como penso, como vejo, como ando, como paro, como respiro. Eu sou sentimento! Sempre fui, em tudo o que faço para mim a razão não vale nada, eu sou apenas o sentimento, sou a mão da tormenta que se levanta, sou um furação que se move de um lado para o outro arrasando tudo, sou aquele amaldiçoado que não pode lhe ver porque quando chega o dia o encanto não permite o nosso encontro. Eu sou você, mas não consigo ser mais eu.

Sou somente a distância, a sombra do que fui, a chuva que caiu e molhou, uma chuva que poderia ser de lágrimas que derramo todas as noites por pensar que um afago seu custa muito caro, entretanto é ao mesmo tempo tão barato quanto qualquer doce de tabuleiro daquelas vendas dos anos 80.

O seu poder me mantém, me consome, me atormenta e me deixa perdido e eu resisto! Não posso mudar, não posso ser, não posso ficar, não posso me transformar, o que tem por aqui precisa ficar represado, o que poderia ser dito, jamais será falado, o que sinto agora será parte do passado, será distante, será destruído, afinal o que o amor pode ser para quem não pode tê-lo?

Somos instantes em segundos, somos pensamentos eclipsados diante de tudo o que podemos viver, vamos perder nossa vida, talvez nos toquemos por um breve momento, mas jamais seremos um instante eterno como era para ser. Não somos dessa vida, nossa paixão é de outro mundo, nós a vivemos, talvez, em outra dimensão e ela saiu daquela realidade e se propagou para essa  onde eu sou triste, por saber que do lado lá tem você, o meu mundo colorido…

Queria ser lápis para desenhar com você, queria ser forte para poder aguentar, mas sou fraco e ao mesmo tempo uma fortaleza.

O meu sentimento é uma imensidão repleta de coisas à falar, mas que nunca serão ditas. Talvez eu esteja perto de me encontrar com seu abraço, num outro mundo, quem sabe….

Por Professor A. Vasconcellos.