Toda a vez que um pai mata um filho, ele mata a si mesmo

Caso foi registrado no Plantão

A lei natural é o filho sempre se despedir do pai, quando seu genitor parte para a eternidade, é claro que isso seria uma regra, mas que nem sempre é observada. Porém, quando um homicídio do naipe que tivemos em São Carlos na noite de ontem, 29, acontece fica apenas uma certeza: cruzamos o Rubicão enquanto sociedade há tempos e hoje estamos muito doentes em todos os aspectos.

Matar é o pior ato para um ser humano, seja que tipo de vida for, mas quando ocorre algo envolvendo membros da mesma família a tristeza que nos abate se torna ainda maior, chega a doer por dentro, na alma. Não há motivo que justifique a violência contra ninguém, assim como não há o chamado crime perfeito.

Como escrevi ontem num artigo falando sobre a propaganda da Natura que tem Thammy Miranda como participante, ser pai é benção, amor, carinho, dedicação e jamais deve ser uma experiência de morte.

Esse crime de ontem evidencia apenas que os pais devem cuidar dos filhos e também de sua saúde mental para que eles possam ser a luz, a esperança e o norte para elas quando crianças e também na fase adulta.

Muitos podem pensar que a vida não é perfeita, não é uma mar de rosas, que há a pobreza endêmica, a falta de oportunidades e que tudo isso ajuda a desestruturar uma família, o que é uma verdade, mas não dá para acreditar que nós deixamos a violência vencer na sociedade com todos esses crimes que vemos hoje em dia. Dói na alma saber que uma vida foi embora de forma tão brutal.

Hoje, em 2020, no meio da maior pandemia dos últimos 100 anos estamos num momento profundamente delicado: ou nos reinventamos enquanto sociedade e passamos a valorizar a formação humanista das pessoas, ou então, a tendência é de que tenhamos cada vez mais crimes como este que aconteceu em São Carlos para contar nas páginas da imprensa local e nacional. A violência não escolhe sangue, ela simplesmente acontece, porque a sociedade esqueceu que os mais frágeis estão na ponta da cadeia pedindo ajuda e nós (quase) sempre viramos as costas para eles.

Talvez se algum dia uma tragédia deste tipo atingir nossas famílias passemos olhar melhor o que construímos enquanto sociedade ao longo do tempo.

 

Renato Chimirri