Toninho Calçados, o mais tradicional ponto da Baixada do Mercado se mudará para a General Osório

Santo Antonio Zacarim, você pode até não lembrar deste nome, mas você certamente o conhece por Toninho Calçados, um dos comerciantes mais tradicionais da Baixada do Mercado se mudará. Tradicionalmente instalado desde 78 na rua Geminiano Costa, 460, agora seu estabelecimento subirá para a General Osório 561, perto do Bom Prato e da Igreja São Benedito. Local que fica longe das enchentes.

Toninho, uma simpatia em forma de pessoa, já sofreu muito com as enchentes que destruíram por diversas vezes a Baixada do Mercado. Ele conta que na última tragédia em 12 de janeiro não chegou a chorar, mas viu sua esposa aos prantos, assim como seus filhos e mais três amigos comerciantes. “Quando viram o estado da loja eles choraram, nunca pensei que homens dessa envergadura chorariam, mas aconteceu”, contou.

Um otimista nato, Toninho contou que não chora por bens materiais: “Perdeu? Vamos ganhar outro!” Essa é a sua filosofia, porém lhe marcou muito ver a esposa e as filhas chorando. “Olha eu não nego que quando for meu último dia aqui (no atual prédio), vou chorar e muito, porque isso faz parte da minha vida!”, pondera.

Ele recordou que está na região da Baixada do Mercado há 52 anos. “Eu vivo a Baixada, respiro a Baixada, fico mais no meu comércio que na minha casa, é uma história que devo a Deus por me aturar todos esses anos, isso faz parte de mim, amo este local, vou continuar amando e quero ver isso melhorar, não quero mais ver porta fechada e arrebentada, nunca mais isso! Queremos vida nova! Isso (as enchentes) é desgastante, não temos sossego para nada, você não come direito!”, diz.

O comerciante conta que roga a Deus para chegar o dia 28 de fevereiro (que será o último no atual prédio) e que em 7º de Março sua loja estará instalado em um novo local. “Conto com o apoio dos amigos e da clientela que sempre me apoiou, tenho certeza que eles irão para lá, se eu não conseguir sobreviver não tem problema, ficarei com uma vida mais tranquila, mas a Baixada não sairá nunca mais do meu subconsciente, afinal sonho com meu tempo de funcionário na outro loja que foi de 68 a 78 e tenho sonhos que parecem reais com minha equipe da outra loja, agora imaginem de 78 a 2020, são 42 anos! É impossível retirar isso da fita, do cérebro, lógico que eu tinha um projeto de parar uma hora, mas era com alegria e não com tristeza, aí não! Mas vamos dar a volta por cima, pois o importante é a vida!”, observa.

Toninho diz que a reconstrução das coisas depois da enchente é lenta e que isso teria que ser mais ágil. Ele recorda que em Maio de 1995 houve uma tromba da água em São Carlos, justamente numa época em que não chove tanto, mas Toninho também classificou as duas de janeiro de 2020 como marcantes. “Em 2 de janeiro não estava na cidade e me recordo que vim pelo SESI e lá encontrei alagamentos, no CDHU também, na Praça Itália, no Pontilhão da 8, quando cheguei no meu comércio tinha enchente, mas ela prejudicava mais a Episcopal e a Geminiano na região da avenida São Carlos, no dia 4 minha loja foi prejudicada, mas no dia 12 de janeiro foi geral, não dá nem para explicar o tamanho da enchente”, ressaltou.

Puxando pela memória, Toninho disse que a impermeabilização e o crescimento da cidade são fatores preponderantes para as enchentes aumentarem na Baixada do Mercado. Ele destacou, por exemplo, construção de casas no Azulville (por volta de 300). “Vão se pavimentando as ruas e os terrenos não sugam mais a água”, disse.

Toninho disse que os projetos de Piscinões na Educativa e no CDHU precisam sair do papel e ir para a prática. “De boa intenção o inferno está cheio, quero que em apontem uma obra nesses últimos tempos contra as enchentes, não sou engenheiro para falar da eficácia dos piscinões, mas acredito que melhore”, enfatizou.

Em sua visão, a situação de obras contra a enchente é muito morosa, ele explicou que antes de ser comerciante é são-carlense e que por isso jamais deixará de brigar por melhorias em todas as regiões da cidade, sobretudo na Baixada do Mercado. “No passado foram rápidos para construir a avenida Comendador Alfredo Maffei, canalizar os córregos, eu vivi isso, eu vi a invasão da natureza, em margem de rio não se constrói, esse rio do Mercado tinha árvores, o progresso chega e o que sobra depois? Isso que estamos vendo!”

Toninho Calçados disse que trabalha todos os dias para honrar seus compromissos e que conta com a parceria dos seus clientes e amigos em sua nova loja na rua General Osório.

Gravação e imagens: Maurício Duch

Texto: Renato Chimirri