Ícone do site São Carlos em Rede

UFSCar tem único laboratório de ressonância com BPL da América Latina

UFSCar tem único laboratório de ressonância com BPL da América Latina

UFSCar tem único laboratório de ressonância com BPL da América Latina

Sediado no Departamento de Química (DQ) da UFSCar, o Laboratório de Ressonância Magnética Nuclear (RMN-UFSCar) acumula mais de três décadas de experiência em pesquisa, formação de pesquisadores e prestação de serviços analíticos para universidades, empresas e indústrias de diversos setores.

Coordenado pelos docentes Antonio Gilberto Ferreira e Tiago Venâncio, do DQ, o laboratório ampliou sua atuação ao longo dos anos para atender demandas que exigem capacidade analítica e controle formal sobre a geração dos dados. Em 2023, a estrutura obteve o reconhecimento do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) aos Princípios das Boas Práticas de Laboratório (BPL), o que o torna o único laboratório de RMN da América Latina com esse reconhecimento.

O sistema BPL estabelece critérios para a organização, execução, documentação, monitoramento e registro de estudos, permitindo que cada etapa seja rastreável e passível de auditoria. Essas características são fundamentais para setores submetidos a exigências regulatórias, como os de medicamentos, produtos químicos e insumos agrícolas.

A espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) é uma técnica capaz de fornecer informações detalhadas sobre a composição e a estrutura de moléculas e materiais a partir do comportamento de núcleos atômicos submetidos a campos magnéticos. Suas aplicações abrangem desde a identificação e elucidação estrutural de compostos até análises de misturas complexas, materiais e amostras biológicas.

Os usos alcançam diferentes áreas da ciência, que vão desde o rastreamento de metabólitos associados a doenças neurológicas, como o Alzheimer, e a doenças genéticas raras, como a síndrome de Cri-du-Chat, à identificação e elucidação estrutural de compostos naturais com potencial para subsidiar o desenvolvimento de alternativas ao uso de agrotóxicos.

“Quando se trabalha com agroquímicos, por exemplo, a análise não se limita ao ingrediente ativo. É preciso acompanhar o que acontece com o produto após sua aplicação no campo e identificar também constituintes presentes em menores concentrações. Por isso, as indústrias buscam nossas expertises seguindo um sistema de gestão da qualidade, como o BPL, conforme as exigências regulatórias do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)”, explica Ferreira, coordenador do laboratório.

Um centro de ciências analíticas na UFSCar


Desde 1993, o Laboratório de Ressonância Magnética Nuclear da UFSCar tem capacitado centenas de pesquisadores a explorar, projetar e compreender materiais em escala atômica, possibilitando descobertas com impacto de longo alcance. Como uma instalação nacional para multiusuários, o RMN-UFSCar fomenta a colaboração e fornece acesso a ferramentas e conhecimentos de ponta que ajudam a moldar avanços na identificação e rastreamento de compostos e/ou metabólitos em vários os campos da ciência.

A procura de empresas que recorriam à expertise de pesquisadores do DQ para análises de maior complexidade foi importante para a evolução do laboratório. Parte desses clientes atua em setores regulados, nos quais determinados estudos precisam ser realizados dentro de sistemas formais de qualidade. Foi a inserção crescente nessa cadeia analítica que impulsionou a adoção dos princípios de BPL.

“Como nós fazemos parte dessa cadeia, fomos incentivados a também ser um laboratório BPL. Não fazia muito sentido que uma empresa que faz análise de campo, fiscalizada pelo Mapa ou pela Anvisa, não tivesse em sua cadeia também processos experimentais fomentados e fundamentados com protocolos de BPL”, registra Ferreira.

Para o pesquisador, a adoção das boas práticas vai além do atendimento formal a requisitos regulatórios e passou a fazer parte da própria rotina do laboratório. “As boas práticas não são apenas um sistema de checklist, mas uma filosofia de trabalho”, afirma.

A operação dos equipamentos também é acompanhada por processos de qualificação e capacitação técnica, fundamentais para manter a infraestrutura atualizada e ampliar as possibilidades de aplicação da RMN em pesquisa e inovação.

A consolidação da infraestrutura contou, ao longo dos anos, com investimentos de agências de fomento como Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), além do apoio de iniciativas como o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT-CBIP).

Empresas e pesquisadores interessados em contratar análises podem consultar, no site do Laboratório de Ressonância Magnética Nuclear da UFSCar, as áreas de atuação, a infraestrutura disponível e as condições para solicitar os serviços.

Texto de Antonio Neto

*Antonio Neto é bolsista de Jornalismo Científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) vinculado ao Laboratório de Produtos Naturais da Universidade Federal de São Carlos (LPN-UFSCar).

Leia mais: Linhas de ônibus terão novos horários e atendimento ampliado na região do Faber e Swiss Park

Sair da versão mobile