Um dia de violência no Planalto Verde

Cerca metálica destruída

Um policial atropelado e ferido no cumprimento do seu dever e um homem morreu depois de um confronto com a própria Polícia Militar, o mesmo seria o atropelador do militar que foi abordar um outro suspeito. Esse é o saldo do dia no bairro Planalto Verde em São Carlos.

Dona Maria (nome fictício de uma moradora do bairro) disse que estava passando um café quando ouviu o filho entrar em casa esbaforido e contando o que tinha acontecido. “Fiquei muito preocupada com que ele me falou, a gente se surpreende com essas coisas”, ressaltou.

Ela disse que os tempos de tranquilidade em todas as cidades acabaram faz tempo. “Morei muitos anos em São Paulo, depois mudei para São Carlos e já vi coisas muito tristes, jovens morrendo, se acidentando, é uma realidade que não fica apenas em nosso bairro, mas vai para toda a cidade”, destacou.

A senhora com as mãos marcadas de trabalho afirmou torcer pela recuperação do policial. “Espero que ele fique bem, tem família, estava trabalhando, muito triste tudo isso, são excelentes profissionais”, afirmou.

Questionamos sobre a morte do rapaz que trocou tiro com a PM, e ela respondeu sem problemas: “Uma vida é uma vida, uma pessoa jovem e eu fico muito triste quando morre alguém, é de fato, tudo uma grande tragédia, já perdi sobrinho novo”.

Maria olha para o horizonte e fala que todos em todas as cidades deveriam ser bem assistidos. Na sua visão, isso tiraria muita gente do que chama de “coisa errada”. “As coisas erradas acontecem porque não tem educação, saúde ruim, não tem emprego, os políticos vem e prometem, mas depois não fazem nada, ninguém sabe como é o caminho de cada um, mas eu trabalhei muitos anos como doméstica e sofri muito, porém posso dizer que o meu dinheirinho ganho com suor tem o mesmo valor de quem é mais rico, tudo vira imposto e deveria voltar para a gente, desrespeitar a lei é errado, a lei vale para todo mundo, ou pelo menos deveria valer”, diz.

Ao final de tudo, Dona Maria afirma que é dever do brasileiro sempre crer em dias melhores. “Se eu espero que vai melhorar? Se vão olhar para nosso bairro com mais carinho? Ah, eu espero que sim, afinal não dá para ser pessimista, né, filho?”, indaga.

Fotos: Maurício Duch