Urutau desperta curiosidade na Linha Maranei em Panambi.

O casal Miguel e Solange Stahl tem a sua propriedade ao lado da BR-285, em Linha Maranei, onde mantém em funcionamento o Restaurante Paiol e piscicultura voltada à produção de alevinos. Por se tratar de um local com muitas árvores e água, uma grande variedade de animais silvestres pouco comuns tem sido vista pela família Stahl, principalmente aves migratórias.

Mas há poucos dias a presença de um pássaro raro e que sempre é motivo de muita curiosidade começou a chamar a atenção da família e dos visitantes. Na sequência, mais um exemplar foi descoberto nas proximidades, o que indica a possibilidade da espécie estar se reproduzindo.

Mas como o urutau foi percebido na propriedade? Solange contou a uma amiga que estava ouvindo um canto de pássaro muito diferente, à noite, quando foi informada que certamente tratava-se de um urutau.

Observando com muita atenção as árvores mais próximas da residência e do restaurante, Solange percebeu algo diferente junto a uma forquilha: parecia um galho quebrado que havia crescido. O esposo Miguel, que é zootecnista, não teve dúvidas: o “galho” era mesmo um urutau, que nos dias seguintes permaneceu na mesma posição. O segundo exemplar foi descoberto por um cliente do restaurante em uma árvore bem ao lado do estabelecimento.

O urutau é uma ave de hábitos noturnos que pertence ao gênero Nyctibius e à família Nyctibiidae. Também é chamado de “mãe-da-lua” e “emenda-toco”. Sua alimentação é constituída basicamente de insetos que apanha em pleno voo, principalmente os grandes, porém pode comer outros animais de pequeno porte, como morcegos, lagartixas, rãs e pequenos pássaros. Há relatos de que também pode se alimentar de pequenas cobras.

Há várias semanas os dois exemplares da espécie passam o dia nos mesmos lugares e sempre muito quietos, sem se mexer, mesmo quando alguém chega muito próximo. Pelo que se percebe, o pássaro procura ficar menos exposto ao sol, escolhendo o lado mais sombreado da árvore.

Mas quando chega a noite, ele vai à caça. Durante o dia ele tira proveito da grande capacidade de camuflagem para se proteger.  

É uma ave que utiliza muito bem sua plumagem para se camuflar. Normalmente se passa por um pedaço de madeira, um galho de árvore ou mesmo tronco partido ou em pé. Costuma ficar estático, não se assustando facilmente. Alcança até 37 centímetros fora a cauda. Não é uma espécie acostumada ao convívio urbano.

O urutau é tido como nobre pelos moradores rurais por simbolizar força e pela forma como se protege dos perigos e dos predadores. A ave, por seu canto, figura entre várias lendas. Segundo os sertanejos, o urutau aparece na hora em que a lua nasce e seu canto triste se assemelha a “foi, foi, foi…”.

Uma lenda diz que o pássaro seria uma mulher que perdera seu amor. Por isto, ele teria o nome de pássaro-fantasma. O nome vem do tupi “uruta’gwi”, também adaptado ao português como jurutau e urutago.

Texto e fotos de Clóvis Kuntz – Folha das Máquinas