Vendas no comércio encerraram 2020 com queda histórica

Portas fechadas: dura realidade

O Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian registrou a maior retração de toda a série histórica do índice, iniciada em 2001. Após encerrar com alta em dois anos consecutivos a atividade do comércio tem queda de 12,2% no acumulado anual de 2020 em comparação a 2019. Nenhum dos segmentos escapou dos números negativos, entretanto, os comerciantes de veículos, motos e peças tiveram a baixa mais acentuada, com -16,2%. Confira abaixo os dados na íntegra:

Para o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, existem diversos motivos que ocasionaram essa queda geral, pois o ano atípico que enfrentamos alterou as formas de consumo. “A reabertura dos comércios, as vendas online, a redução de juros e o auxílio emergencial, não tinham como compensar totalmente o período de distanciamento social, os altos níveis de desemprego e a instabilidade econômica da população. Por isso, houve redução histórica das vendas, mesmo em períodos festivos, já que o consumidor precisou priorizar ainda mais seus gastos e focar nos itens essenciais”.  

Ainda de acordo com o economista, a movimentação dos segmentos torna essa priorização mais visível. Dívidas e compromissos a longo prazo, como o financiamento de um veículo, foram os primeiros a serem adiados, a compra de itens para vestuário também perdeu apelo durante o ano. “Não é à toa que as retrações mais leves estejam nos setores de alimentação e combustível. O primeiro é fundamental para todos e foi impulsionado pela maior estadia das pessoas em suas casas, que gerou o aumento do gasto com alimentos. O segundo tem extrema importância para aqueles que não pararam de trabalhar fora durante a pandemia, como os profissionais ligados a serviços de entrega, por exemplo”, finaliza Rabi.

Análise ano a ano revela menor queda de 2020

O comparativo interanual (dez/19 x dez/20) apresenta queda de 3,5% nas vendas do comércio brasileiro. Depois de nove meses seguidos de retrações, essa é a menor baixa do ano desde fevereiro, quando o índice ainda registrava crescimento. Em relação aos segmentos, todos demonstraram recuo, com destaque para Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios, que caiu 11,8%.