Vereadores visitam equipamentos públicos que tratam COVID em São Carlos e dizem que situação é caótica

Vereadores foram conhecer a realidade da saúde em São Carlos

Os vereadores Marquinho Amaral (Presidente), Elton Carvalho (Relator), Bruno Zanchetta e Dé Alvim (Membros) visitaram equipamentos de saúde em São Carlos neste domingo, 23, que estão realizando o trabalho de combate à pandemia de COVID-19 em São Carlos.

Em áudio compartilhado no grupo de WhatsApp dos parlamentares da Câmara Municipal, o presidente da CPI, Marquinho Amaral, contou que a situação nos equipamentos públicos da cidade é muito ruim. “Não tem lençol, não tem cobertor, os funcionários estão desmotivados, revoltados”, disse.

Diante do quadro, Marquinho explicou que será realizada uma reunião amanhã, 24, da CPI, às 10 horas da manhã em caráter extraordinário. “Vamos fazer um documento e levar ao prefeito porque algo precisa ser feito, presenciamos hoje uma situação desumana, vi uma senhora tremendo de frio e não tem cobertor!”, revelou.

Segundo Marquinho, chegou o momento do Poder Legislativo se posicionar sobre o assunto. “A Câmara precisa tomar uma atitude, sob pena de sermos responsabilizados no futuro por mortes, vou falar algo: morreu gente em São Carlos por irresponsabilidade, por falta de gestão, não podemos conviver mais com amador, com quem não tem capacidade de gerir e tocar a saúde municipal, os vereadores que me acompanharam podem dizer isso, o vereador Azuaite não estava em função da idade e também pelos casos de COVID em seu gabinete”, ressaltou. “Digo aqui ao vereador Roselei Françoso, presidente da Câmara: ou nós assumimos esse papel e mudamos a situação ou teremos que fechar o legislativo, porque vimos pessoas intubadas em locais onde não tem condições de passar o oxigênio”, emendou.

Marquinho Amaral foi além em sua narrativa, ele disse que UPA da Santa Felícia foi fechada e o vereador parece não concordar com a situação. “Atendia-se 200 pessoas e agora tem 4 pessoas lá dentro, vivemos um caos e por isso preciso do apoio de todos os vereadores para que possamos na segunda e na terça-feira mostrar força na Câmara porque no futuro pode ser um pai, uma mãe, um irmão, um amigo nosso que estará lá”, criticou.

Lucão

Lembrando do amigo e vereador Lucão Fernandes que infelizmente perdeu sua esposa para a COVID nesta semana, Marquinho Amaral destacou que os dois tinham convênio particular de atendimento. Ele também se recordou do assessor Jorginho que está com COVID, da Elaine Kitatani que foi contaminada e trabalha com o vereador Azuaite. “Está na hora fazermos algo, o que fizeram naquele pseudo hospital de campanha onde se gastou dinheiro é absurdo, uma coisa desumana, basta ouvir os depoimentos das enfermeiras e dos médicos”, afirmou.

A visita realizada pelos vereadores foi de surpresa e Marquinho Amaral revelou que o que eles viram foi um quadro de ineficiência. “Vimos a inércia e a inoperância do poder público, eu tenho Unimed, muitos vereadores também, o nosso vice-prefeito está na Unimed, lá tem cobertor, lençol, mas as pessoas que estão na UPA, no ginásio, com um absurdo que foi gasto lá? Eles pensam que não vamos apurar? Vamos sim!”, prometeu.

Marquinho falou que todos os responsáveis precisam ser encontrados e punidos, caso a culpa de cada um seja comprovada. “O que nós assistimos hoje foi triste, vimos senhorinhas intubadas em locais que não tem condições de passar oxigênio, é coisa que precisa ser apurada, amanhã vamos nos reunir com o prefeito e apresentar um relatório, não vou mais concordar com isso, não votarei mais verbas para a saúde, estamos votando milhões e onde está o dinheiro?”, ressaltou.

A CPI continua investigando os casos, inclusive, de vacinação contra a COVID que os vereadores entendem que são irregulares.

Prefeitura emite nota sobre caso denunciado pelos vereadores:

A Secretaria Municipal de Saúde informa que o Centro de Atendimento e Triagem de Síndrome Gripal, localizado no Ginásio Milton Olaio, passa por constantes adequações buscando a melhoria do atendimento e assistência médica, principalmente com o aumento da demanda por pessoas com sintomas gripais.

A Secretaria ressalta que os munícipes que passam por atendimento no Centro de Triagem não permanecem no local por mais de 12 horas, sendo que os casos leves são liberados e monitorados e, os casos que necessitam de assistência médica, são encaminhados para a UPA do Santa Felícia ou para os hospitais que possuem vagas de enfermaria ou até mesmo UTI.

Por Renato Chimirri