Airton tem um legado como prefeito, mas não precisava encerrar mandato com a cidade suja

Airton poderia ter deixado a cidade limpa
Airton poderia ter deixado a cidade limpa

Termina com um pouco de melancolia o segundo mandato de Airton Garcia como prefeito de São Carlos. Justamente porque o prefeito, o único ao lado de Newton Lima, reeleito para dois mandatos seguidos sai do poder deixando a cidade suja, repleta de mato, as imagens desmentem qualquer insinuação de que o jornalista está sendo mal intencionado ao escrever estas palavras.

Airton Garcia não precisava deixar o poder dessa forma, seu governo teve conquistas que podem ficar a frente de uma cidade profundamente suja no último mês de 2024. Por exemplo: foram os seus mandatos que praticamente colocaram asfalto novo em boa parte das ruas são-carlenses, sem dúvida, essa é uma conquista, mesmo que a própria oposição diga que novas dívidas foram feitas.

Também foi pelo crivo do seu mandato as reformas estruturais (em prédios) de escolas e nas unidades de saúde, incluindo a reforma na UPA da Vila Prado, recuperar prédios são passos importantes na melhoria do atendimento. É bem verdade que os problemas na área de saúde também foram muitos, mas esse particular não vem apenas do seu governo, mas no sistema como um todo, passa pela Prefeitura de São Carlos (gestora plena), o Governo do Estado de São Paulo e também o Governo Federal. Mesmo assim, depois de algumas trombadas, o próprio prefeito fez parcerias importantes com a Santa Casa e com o Hospital Universitário que agora segue com novas obras.

A gestão Airton tentou facilitar a vida do cidadão no que diz respeito ao REFIS. As dívidas foram renegociadas algumas vezes, o que é importante para quem não pode pagar. A cidade avançou de certa forma na questão da Segurança Pública com uma atuação, digamos, mais ostensiva da Guarda Municipal, o aumento do número de câmeras de vigilância, a Patrulha Maria da Penha, são ganhos para a sociedade, mesmo com os últimos dias da gestão sendo cobrada para dar respostas sobre jovens empinando motocicletas na avenida São Carlos. Aqui, novamente, fica a pergunta: as câmeras da GM flagraram ou não essa movimentação?

Airton, do povo de vista político, teve pouco trabalho na Câmara Municipal. Consolidou uma base e enfrentou alguns percalços com vereadores que tentaram abrir uma Comissão Processante, que roncaram sobre seu estado de saúde, mas que, no final, apoiaram a eleição do seu indicado, Netto Donato.

O segundo governo de Airton teve a participação de mais forças políticas, entretanto a sensação deixada é que ele é o último político personalista da Velha Guarda de São Carlos a ser eleito. Com o atual prefeito tendo seu ocaso, a impressão que fica é a de que as eleições para os próximos prefeitos passarão, sobretudo, pelas redes sociais, bem como pela juventude dos próximos candidatos e candidatas.

Airton teve um nó górdio: não resolveu em seu governo a questão da falta de água, mas deu a demonstração de que foi aprovado em parte do que fez ao fazer seu sucessor. O mesmo expediente se repetiu com Newton Lima ao eleger Oswaldo Barba. Resta saber como a população qualificará o próximo governo.

Airton tem seu legado como prefeito, aquilo que sempre buscou ao longo de sua carreira como político, contudo não precisava encerrar o mandato com o mato tomando conta do município.

Renato Chimirri

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