
O Brasil é um dos países com maior diversidade de fauna do mundo. São milhares de espécies que habitam nossas florestas, cerrados, campos e rios, cada uma com seu papel no equilíbrio ambiental. No entanto, algumas dessas espécies despertam o interesse por sua beleza, comportamento dócil ou adaptabilidade à convivência humana — e isso levanta a dúvida: é possível domesticar animais silvestres?
A resposta é: em alguns casos, sim, desde que respeitadas todas as exigências legais e ambientais. A domesticação de animais silvestres é um tema delicado e exige responsabilidade. Não se trata de simplesmente capturar um animal da natureza, o que é crime. Animais silvestres só podem ser criados como pets se forem adquiridos de criadouros legalizados e autorizados pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
Confira a seguir 5 animais silvestres do Brasil que podem ser domesticados de forma legal e segura, além dos cuidados essenciais que cada um exige.
1. Jiboia (Boa constrictor)
Apesar de causar medo em muitas pessoas, a jiboia é uma serpente não peçonhenta e bastante tranquila. No ambiente doméstico, costuma se adaptar bem, principalmente se for manuseada com respeito desde filhote.
- Cuidados: exige um terrário com temperatura e umidade controladas, alimentação com roedores e limpeza frequente.
- Curiosidade: pode viver mais de 20 anos em cativeiro.
- Legalização: só pode ser adquirida de criadouros autorizados.
A jiboia não demonstra afeto como um cão ou gato, mas seu comportamento calmo e imponente atrai entusiastas da fauna exótica.
2. Cágado-tigre-d’água (Trachemys dorbigni)
Esse simpático quelônio de água doce é bastante popular no sul do Brasil. Ele vive bem em aquaterrários, é resistente e pode se tornar uma excelente companhia de longa data.
- Cuidados: precisa de espaço para nadar e também de uma área seca para descanso, além de lâmpadas UVB e alimentação variada.
- Curiosidade: é muito calmo e reconhece seus cuidadores com o tempo.
- Legalização: sua criação exige nota fiscal e chip de identificação em alguns estados.
É uma opção interessante para quem busca um animal silvestre tranquilo e de fácil manutenção.

3. Maritaca (Psittacara leucophthalmus)
As maritacas são aves inteligentes, barulhentas e extremamente sociáveis. Com paciência e carinho, é possível ensinar truques, palavras e criar um vínculo afetivo com esses animais.
- Cuidados: precisam de espaço para voar, poleiros, brinquedos e alimentação com frutas, sementes e ração específica.
- Curiosidade: vivem em média 25 anos e formam laços afetivos fortes com humanos.
- Legalização: devem vir de criadouros registrados, com anilha e documentação.
Por serem aves muito interativas, as maritacas exigem atenção e tempo do tutor, além de paciência com os sons intensos que emitem.
4. Tatu-peba (Euphractus sexcinctus)
Pouco convencional como pet, o tatu-peba é curioso e pode ser domesticado se criado desde filhote. Ele escava a terra, se alimenta de frutas, raízes e pequenos insetos, e possui hábitos noturnos.
- Cuidados: precisa de espaço com solo para escavação, abrigo e vigilância contra fugas.
- Curiosidade: apesar de tímido, pode se acostumar à presença humana e até receber carinho.
- Legalização: criação legal só é permitida mediante autorização e em criadouros específicos.
É um animal ideal para quem mora em áreas rurais e quer um companheiro incomum e silencioso.
5. Sagui-de-tufo-branco (Callithrix jacchus)
Esse pequeno primata é um dos mais comuns na fauna brasileira. Com feições expressivas e comportamento brincalhão, o sagui pode se adaptar bem a ambientes domésticos, desde que receba os estímulos corretos.
- Cuidados: exige alimentação específica, espaço para subir e brincar, companhia e atenção constante.
- Curiosidade: vive cerca de 12 anos e pode criar forte apego ao tutor.
- Legalização: requer autorização, microchip e documentação de criador legalizado.
Por ser muito social, o sagui não deve ser criado sozinho ou isolado, pois pode desenvolver distúrbios comportamentais.
Considerações importantes
Apesar de alguns animais silvestres poderem ser domesticados, é fundamental lembrar que:
- A retirada de animais da natureza é crime ambiental.
- A posse legal exige documentação, nota fiscal e registro no IBAMA.
- Nem todos os animais silvestres se adaptam bem à vida em cativeiro.
- O bem-estar do animal deve ser prioridade absoluta.
- O tutor deve estudar e se preparar antes de adotar um animal exótico.
A convivência com animais silvestres é possível, mas só deve acontecer de forma ética, responsável e sempre dentro da legalidade.








