Atacar a UFSCar é atacar São Carlos e a ciência brasileira

Atacar a UFSCar é atacar São Carlos e a ciência brasileira
Atacar a UFSCar é atacar São Carlos e a ciência brasileira

São Carlos não recebeu por acaso o reconhecimento de Capital Nacional da Tecnologia. A cidade construiu, ao longo de décadas, uma relação profunda com a educação superior, a pesquisa científica e a inovação. Nesse processo, poucas instituições tiveram um papel tão importante quanto a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Defender a UFSCar não significa apenas defender uma universidade pública. Significa proteger uma das bases do desenvolvimento econômico, intelectual, tecnológico e social de São Carlos.

É por isso que precisamos afirmar, com toda a clareza: atacar a UFSCar, desqualificar sua produção científica ou tentar diminuir sua importância é também atacar São Carlos e a contribuição da ciência brasileira para o desenvolvimento nacional.

A universidade não pertence a um governo, a um partido político ou a uma corrente ideológica. Sua história, seu patrimônio e sua produção intelectual pertencem à sociedade brasileira. A sociedade que a frequenta é plural, por isso, democrática.

E seus resultados merecem respeito.

UFSCar está entre as dez melhores universidades do Brasil

Os números ajudam a compreender a dimensão dessa instituição.

No Ranking Universitário Folha (RUF) 2026, a UFSCar manteve a décima colocação entre 205 universidades brasileiras avaliadas.

Mais do que permanecer entre as dez primeiras, a instituição alcançou resultados expressivos em áreas fundamentais para a formação acadêmica e a produção do conhecimento.

Em Ensino, conquistou a oitava posição nacional. Em Pesquisa, ficou em nono lugar. Na avaliação de Internacionalização, avançou quatro posições, chegando ao 16º lugar.

Outro dado merece destaque: dos 24 cursos de graduação analisados, 14 figuram entre os dez melhores do Brasil em suas respectivas áreas. Engenharia de Produção alcançou a terceira colocação nacional.

Esses resultados não surgiram espontaneamente.

São consequência de décadas de investimentos, dedicação de professores, pesquisadores, técnicos administrativos, estudantes e profissionais que transformaram a universidade em referência nacional.

Não se constrói uma instituição científica respeitada com discursos vazios. Constrói-se com laboratórios, bibliotecas, experimentos, publicações, formação de profissionais e trabalho cotidiano.

A ciência produzida em São Carlos ultrapassa as fronteiras da cidade

A importância da UFSCar não pode ser medida apenas pela quantidade de alunos matriculados ou pelos diplomas entregues anualmente.

A universidade produz conhecimento em áreas fundamentais para o Brasil, como saúde, engenharia, educação, química, física, computação, materiais, meio ambiente e desenvolvimento tecnológico.

Em seus laboratórios e programas de pós-graduação, pesquisadores investigam problemas reais, desenvolvem métodos, testam hipóteses e buscam soluções que podem beneficiar a sociedade.

Muitas dessas pesquisas não produzem resultados imediatos. Algumas exigem anos de investigação. Outras abrem caminhos para descobertas que somente serão plenamente compreendidas no futuro.

Essa é a natureza da ciência.

Uma universidade não existe apenas para oferecer respostas prontas. Existe também para formular perguntas que ainda não sabemos responder.

E é justamente essa capacidade de investigar o desconhecido que diferencia sociedades capazes de produzir conhecimento daquelas que permanecem dependentes de tecnologias desenvolvidas em outros países.

São Carlos seria a mesma cidade sem a UFSCar?

É difícil imaginar a São Carlos contemporânea sem a presença da Universidade Federal.

Desde sua criação, em 1968, a instituição participa da formação de profissionais, da circulação de conhecimento e da construção de um ambiente favorável à pesquisa e à inovação.

A universidade movimenta a economia, atrai estudantes de diferentes regiões, gera oportunidades de trabalho e contribui para a qualificação profissional.

Seus efeitos ultrapassam os limites dos campi.

Estão presentes na atividade econômica, nas empresas que empregam profissionais formados pela instituição, nos projetos de extensão, nas parcerias científicas e na vida cultural da cidade.

Ao lado da Universidade de São Paulo e de outras instituições de pesquisa instaladas no município, a UFSCar integra um ecossistema acadêmico e tecnológico que tornou São Carlos conhecida nacionalmente.

Diminuir a importância dessa universidade significa ignorar uma parte essencial da própria história são-carlense.

Defender a universidade não significa impedir críticas

É necessário estabelecer uma distinção importante.

Nenhuma instituição pública está acima de questionamentos. A UFSCar, como qualquer universidade financiada pela sociedade, deve prestar contas, manter transparência administrativa, aceitar críticas fundamentadas e buscar permanentemente melhorias.

A fiscalização dos recursos públicos é legítima. O debate sobre prioridades acadêmicas também.

O problema começa quando a crítica deixa de considerar fatos e passa a desqualificar indiscriminadamente a instituição, seus pesquisadores ou a própria atividade científica.

Questionar uma decisão administrativa é diferente de desacreditar décadas de produção intelectual.

Discordar de posicionamentos individuais de integrantes da comunidade universitária não autoriza transformar toda a instituição em alvo de generalizações.

A universidade é maior do que qualquer gestão, reitor, professor ou estudante.

A crítica responsável pode fortalecer a UFSCar. A desinformação e a desqualificação generalizada apenas empobrecem o debate público.

Ciência não é luxo: é investimento no futuro

Um país que deseja desenvolver medicamentos, aperfeiçoar processos industriais, produzir tecnologias, melhorar a educação e enfrentar desafios ambientais precisa de universidades capazes de pesquisar.

A ciência exige continuidade.

Laboratórios não podem depender apenas de entusiasmo. Pesquisadores precisam de infraestrutura, equipamentos, financiamento, equipes qualificadas e condições adequadas de trabalho.

O investimento público na educação superior não deve ser tratado simplesmente como uma despesa administrativa. Seus resultados podem aparecer na formação de profissionais, na inovação tecnológica, na melhoria de serviços e na capacidade nacional de enfrentar problemas complexos.

Isso não dispensa avaliação rigorosa dos gastos. Pelo contrário: exige planejamento, transparência e acompanhamento dos resultados.

A própria classificação do RUF 2026 evidencia a participação das universidades públicas na pesquisa e na formação superior brasileira. As 22 primeiras colocadas são públicas. Entre as 50 mais bem avaliadas, 45 pertencem ao setor público.

O Brasil precisa discutir como ampliar a qualidade de suas instituições, e não reduzir o debate a ataques que desconsideram suas contribuições.

A UFSCar é patrimônio de São Carlos e do Brasil

Existe algo que deveria unir a sociedade são-carlense, independentemente de diferenças políticas, ideológicas ou pessoais: o reconhecimento da importância de suas instituições científicas.

A UFSCar é uma conquista histórica que precisa ser preservada, valorizada e permanentemente aperfeiçoada.

São Carlos tem razões concretas para se orgulhar de abrigar uma universidade que figura entre as dez melhores do país.

Mas o orgulho, sozinho, não basta.

É preciso compreender que a excelência acadêmica depende de trabalho contínuo, liberdade de investigação, compromisso com a qualidade e condições para produzir conhecimento.

Uma cidade que se apresenta como Capital Nacional da Tecnologia não pode tratar sua comunidade científica como algo secundário.

A universidade forma profissionais, amplia horizontes, estimula a inovação e ajuda a projetar o nome de São Carlos para além de suas fronteiras.

Atacar a UFSCar por meio da desinformação e da desqualificação indiscriminada é atingir um dos pilares de São Carlos. Desprezar sua produção científica é desprezar parte da capacidade brasileira de construir o próprio futuro.

A defesa da universidade não exige concordância com tudo o que acontece dentro dela. Exige apenas reconhecer que instituições dessa importância não se constroem de um dia para o outro e que seu valor não pode ser reduzido a disputas circunstanciais.

A UFSCar pertence à história de São Carlos, mas sua contribuição alcança todo o Brasil.

Defender a UFSCar é defender a ciência, a educação, o conhecimento e o futuro de São Carlos.

Renato Chimirri

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