
Há dias em que a vida muda sem pedir licença.
Não manda aviso. Não pergunta se estamos preparados. Não espera as contas serem pagas, os planos serem realizados ou os abraços serem dados.
Simplesmente muda.
Para Brendo Alexsandro Magon, de 27 anos, um desses dias foi 15 de agosto.
Motoboy, ele estava trabalhando quando sofreu um grave acidente de motocicleta na Avenida Getúlio Vargas, em São Carlos. Em poucos instantes, a rotina deu lugar à urgência. Brendo sofreu um traumatismo cranioencefálico, precisou passar por cirurgia e iniciou uma batalha pela vida.
E uma batalha como essa nunca é travada por apenas uma pessoa.
Enquanto Brendo luta em um leito de hospital, há uma família que luta do lado de fora.
Luta esperando uma notícia.
Luta olhando para o telefone.
Luta procurando forças para enfrentar mais um dia.
Luta tentando acreditar que amanhã poderá trazer aquilo que hoje ainda parece distante.
Nos primeiros momentos, quando seu estado era gravíssimo, familiares e amigos fizeram aquilo que estava ao alcance deles: reuniram pessoas para rezar. Em frente à Santa Casa de São Carlos, formou-se uma corrente de oração.
Talvez alguém que passasse pela rua naquela hora enxergasse apenas algumas pessoas reunidas.
Mas quem já esperou pela recuperação de alguém que ama sabe que havia muito mais ali.
Havia medo.
Havia angústia.
Havia amor.
E, principalmente, havia esperança.
Porque existem momentos em que a medicina cuida do corpo enquanto aqueles que estão do lado de fora procuram alguma maneira de cuidar da alma.
Os dias passaram.
E a luta continuou.
Só que um acidente grave não interrompe apenas a rotina de quem está hospitalizado. Ele muda também a vida de quem fica esperando em casa.
Brendo é motoboy. Seu trabalho depende das ruas, da motocicleta, das entregas, do movimento diário. Enquanto permanece impossibilitado de trabalhar, as despesas não param.
A conta de luz chega.
A alimentação precisa estar na mesa.
As obrigações continuam vencendo.
E é justamente nesse momento que uma história individual começa a pertencer um pouco a todos nós.
Amigos e familiares iniciaram uma campanha para ajudar Brendo e sua esposa durante esse período difícil.
E talvez alguém pense que alguns reais representam pouco diante de uma situação tão grande.
Não representam.
Quando muitas mãos oferecem um pouco, nenhuma delas oferece pouco.
Uma contribuição ajuda a pagar uma conta. Um compartilhamento faz a campanha chegar a alguém que pode colaborar. Uma oração conforta uma família. Uma mensagem lembra a quem está sofrendo que existe gente torcendo do lado de fora.
Solidariedade é isso.
É não conseguir retirar a dor de alguém, mas decidir que aquela pessoa não precisará atravessá-la completamente sozinha.
Brendo talvez nem conheça boa parte das pessoas que hoje sabem seu nome.
Talvez nunca tenha encontrado quem compartilhou sua campanha.
Talvez tenha passado de motocicleta, algum dia, ao lado de alguém que agora reza por sua recuperação.
São Carlos é grande o suficiente para que milhares de pessoas nunca se encontrem, mas pequena o bastante para que a história de um jovem de 27 anos consiga atravessar bairros, celulares e grupos de mensagens e tocar pessoas que jamais fizeram parte de sua rotina.
Hoje, Brendo não é apenas o motoboy que sofreu um acidente.
É um filho, um companheiro, um amigo, um trabalhador e um jovem que ainda tem muita estrada pela frente.
E enquanto ele trava a batalha mais importante de sua vida, podemos fazer alguma coisa.
Podemos ajudar sua família.
Podemos compartilhar sua história.
Podemos rezar, cada um segundo sua fé.
Podemos simplesmente desejar, sinceramente, que ele consiga voltar.
Voltar para casa.
Voltar para quem o ama.
Voltar para seus planos.
Voltar para a vida comum que, depois de acontecimentos como esse, descobrimos ser extraordinariamente preciosa.
A família de Brendo pediu um milagre.
Talvez os milagres pertençam aos mistérios da fé.
Mas existe uma parte dessa história que pertence a nós.
A parte de estender a mão.
Porque enquanto Brendo luta pela vida, São Carlos pode mostrar que ninguém precisa lutar sozinho.
Força, Brendo.
Há uma família esperando por você.
E há muita gente, mesmo sem conhecê-lo pessoalmente, torcendo para que essa história ainda tenha muitos capítulos pela frente.
Campanha pede ajuda para Brendo
As pessoas que desejarem colaborar podem fazer doações diretamente por meio da chave Pix divulgada pela família:
Chave Pix: 473.391.088-66
Banco: Nubank
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