Santa Casa de São Carlos realizou 48 captações de órgãos desde 2022

Santa Casa de São Carlos realizou 48 captações de órgãos desde 2022
Santa Casa de São Carlos realizou 48 captações de órgãos desde 2022

A Santa Casa de São Carlos realizou 48 captações de órgãos entre janeiro de 2022 e setembro de 2026, em um trabalho que mobiliza profissionais de diferentes áreas e pode atravessar a madrugada. Da autorização da família até a cirurgia para retirada dos órgãos, uma complexa operação é colocada em funcionamento para que coração, pulmões, rins e outros órgãos possam chegar a pacientes que aguardam por um transplante.

Por trás de cada captação existe uma corrida contra o tempo. O processo começa a partir do protocolo para confirmação da morte encefálica de um potencial doador e envolve, posteriormente, o acolhimento dos familiares.

Após a confirmação da morte encefálica, a família é consultada sobre a possibilidade da doação. A autorização permite o início das etapas necessárias para viabilizar a captação.

Operação pode levar de 10 a 12 horas

A coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), Flávia Serpa Marques, explica que a autorização da família dá início a uma grande articulação.

“Depois que a família autoriza a doação, começa uma grande articulação. A CIHDOTT aciona os profissionais de plantão e, junto à Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Ribeirão Preto, acompanha as etapas necessárias para a captação. A OPO aciona a Central de Transplantes do Estado de São Paulo, que inicia a oferta dos órgãos às equipes dos hospitais captadores. É um trabalho que exige organização e agilidade e pode levar de 10 a 12 horas entre a oferta dos órgãos e a realização da cirurgia.”

A logística não envolve apenas as equipes que participam diretamente da retirada dos órgãos.

Muitas captações acontecem durante a madrugada. Enquanto o procedimento é realizado no centro cirúrgico, profissionais de outros setores precisam organizar a chegada das equipes de hospitais responsáveis pelos transplantes, horários e deslocamentos.

Tudo precisa ser coordenado sem interferir nas cirurgias eletivas e nos atendimentos de emergência realizados pela Santa Casa.

Coração e pulmão aumentam a corrida contra o tempo

Quando coração ou pulmão estão entre os órgãos captados, o deslocamento ganha ainda mais importância devido ao chamado tempo de isquemia.

Isso significa que existe um período limitado para que determinados órgãos sejam preservados e transportados em condições adequadas até o paciente que receberá o transplante.

Nessas situações, a operação pode ultrapassar os limites do hospital e mobilizar diferentes serviços.

SAMU e Guarda Municipal podem participar do transporte terrestre, enquanto a Força Aérea Brasileira (FAB) pode realizar o transporte aéreo dos órgãos até o serviço onde ocorrerá o transplante.

É uma cadeia que precisa funcionar de maneira coordenada para reduzir o tempo entre a captação e a chegada do órgão ao receptor.

Doação pode transformar a vida de quem espera

Na outra ponta desse trabalho estão os pacientes que dependem de um transplante.

No Serviço de Nefrologia da Santa Casa de São Carlos, por exemplo, pacientes em hemodiálise enfrentam uma rotina de quatro horas de tratamento por sessão, três vezes por semana.

Atualmente, 103 pacientes atendidos pelo serviço são elegíveis para um transplante renal. Em 2026, os pacientes acompanhados pela Nefrologia da instituição realizaram, em média, um transplante renal por mês.

Os números ajudam a dimensionar a importância de cada processo de doação e captação.

Conversar sobre doação ainda em vida pode ajudar a família

A decisão sobre a doação acontece em um dos momentos mais difíceis enfrentados por uma família. Por isso, conversar sobre o assunto antecipadamente pode ser importante.

Quando uma pessoa manifesta em vida aos familiares sua vontade em relação à doação de órgãos, eles passam a conhecer esse desejo caso precisem enfrentar essa decisão no futuro.

Para o provedor da Santa Casa de São Carlos, Antonio Valério Morillas Junior, cada autorização deve ser recebida com respeito.

“Cada família que autoriza uma doação merece nosso respeito e nossa gratidão. É uma decisão tomada em um momento de muita dor, e cabe a todos nós acolher essa escolha com cuidado. Também agradeço a cada profissional que participa desse trabalho, muitas vezes durante a madrugada, para que os órgãos possam seguir para quem aguarda um transplante.”

As 48 captações realizadas na Santa Casa de São Carlos desde 2022 representam, portanto, muito mais do que procedimentos dentro de um centro cirúrgico. Cada uma delas colocou em movimento uma rede formada por familiares, profissionais de saúde, equipes de transplante e serviços de transporte, com um objetivo comum: fazer com que a doação possa se transformar em uma nova oportunidade para quem espera por um órgão.

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