
O estado de São Paulo apresenta sinais de aumento dos casos graves de Covid-19 e de infecções provocadas pelo metapneumovírus, conforme o mais recente boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O levantamento considera os registros da Semana Epidemiológica 43, entre 25 e 31 de outubro de 2026, e aponta mudanças importantes na circulação de vírus respiratórios.
Segundo a análise, São Paulo está entre as cinco unidades da Federação que apresentam sinais de crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à Covid-19. Além do território paulista, o movimento foi identificado em Mato Grosso, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Apesar da tendência de aumento, a Fiocruz ressalta que a incidência de casos graves de Covid-19 em São Paulo ainda permanece em níveis muito baixos. Isso significa que o crescimento observado não representa, necessariamente, uma situação de elevada pressão sobre os serviços hospitalares.
Metapneumovírus também apresenta crescimento em São Paulo
Outro dado relevante do boletim é o avanço das infecções respiratórias graves provocadas pelo metapneumovírus humano (HMPV).
São Paulo integra um grupo de nove estados onde o InfoGripe identifica aumento de casos associados ao vírus. Na região Centro-Sul, o crescimento também aparece no Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. No Nordeste, o movimento foi observado na Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Sergipe.
O metapneumovírus pode provocar infecções respiratórias que variam de quadros leves a manifestações graves, especialmente entre crianças pequenas, idosos e pessoas com maior vulnerabilidade clínica.
São Paulo não aparece entre os estados com crescimento geral em níveis de alerta
Embora apresente aumento de casos graves relacionados a determinados vírus, São Paulo não integra a relação de estados que combinam incidência geral de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco com tendência de crescimento nas últimas seis semanas.
De acordo com o levantamento, apenas Mato Grosso e Mato Grosso do Sul apresentam simultaneamente essas duas condições.
Outros quatro estados — Maranhão, Roraima, Santa Catarina e Sergipe — registram incidência em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo.
A distinção é importante porque o aumento de casos relacionados a um vírus específico não significa, necessariamente, que o conjunto das internações por doenças respiratórias esteja crescendo na mesma proporção.
Brasil acumula mais de 171 mil casos graves e 7,6 mil mortes em 2026
Casos de SRAG no Brasil
171.369
Notificações em 2026
Óbitos por SRAG no Brasil
7.679
Mortes registradas em 2026
Dados nacionais do InfoGripe até 31 de outubro de 2026. O resumo consultado não apresenta totais absolutos equivalentes exclusivos de São Paulo.
No cenário nacional, o boletim contabiliza 171.369 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em 2026. Desse total, 91.420 tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório, o equivalente a 53,3% das notificações.
Outros 62.823 exames apresentaram resultado negativo, enquanto pelo menos 7.457 casos ainda aguardavam confirmação laboratorial.
Em relação às mortes, o país registrou 7.679 óbitos associados à SRAG. Entre eles, 3.465 tiveram resultado positivo para vírus respiratórios.
Nas quatro semanas epidemiológicas mais recentes, o rinovírus respondeu por 50,1% dos casos positivos de SRAG no Brasil. A Covid-19 representou 8,5%, enquanto o vírus sincicial respiratório correspondeu a 10,1%.
Entre os óbitos com identificação viral positiva no mesmo período, o rinovírus apareceu em 43% dos registros e o SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19, em 24,1%.
Esses percentuais são nacionais e não devem ser interpretados como números específicos do estado de São Paulo.
Crianças pequenas e idosos exigem atenção
O levantamento também demonstra que os impactos das doenças respiratórias graves são diferentes conforme a idade.
Em todo o país, as crianças de até dois anos apresentam as maiores taxas de incidência de SRAG, principalmente por infecções associadas ao rinovírus, vírus sincicial respiratório e metapneumovírus.
Já a mortalidade é proporcionalmente mais elevada entre pessoas com 65 anos ou mais.
Diante desse cenário, a manutenção da vacinação recomendada para cada faixa etária, a atenção aos sintomas respiratórios e a procura por assistência médica em situações de dificuldade para respirar continuam sendo medidas importantes de prevenção e cuidado.
O que os dados significam para São Carlos e região?
Para municípios do interior paulista, como São Carlos, Araraquara, Ibaté, Descalvado e Rio Claro, o boletim serve como referência para acompanhar o comportamento dos vírus respiratórios no estado.
Entretanto, o documento não apresenta números individualizados de casos, internações ou mortes nessas cidades. Portanto, não é possível afirmar, com base exclusivamente nesse levantamento, que esteja ocorrendo aumento de hospitalizações em São Carlos.
A Fiocruz também destaca que os dados das semanas mais recentes podem sofrer alterações devido ao tempo necessário para a inclusão e atualização das notificações no sistema nacional de vigilância.
O acompanhamento dos indicadores municipais, da ocupação de leitos e dos registros hospitalares é fundamental para avaliar a situação regional com maior precisão.
Fonte: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) — Resumo do Boletim InfoGripe, Semana Epidemiológica 43 de 2026, com dados inseridos no SIVEP-Gripe até 31 de outubro.








