Dr. João Barizza: a medicina perde um profissional, São Carlos se despede de um homem gentil

Dr. João Barizza: a medicina perde um profissional, São Carlos se despede de um homem gentil
Dr. João Barizza: a medicina perde um profissional, São Carlos se despede de um homem gentil

Há médicos dos quais nos lembramos pelo diagnóstico. Outros, pelo tratamento. Alguns ficam associados a um momento difícil que, depois de muitos anos, ainda conseguimos reconstruir na memória.

E existem aqueles dos quais nos lembramos, sobretudo, pela maneira como trataram alguém que amamos.

O Dr. João Barizza, ortopedista de São Carlos, faleceu nesta segunda-feira, 10 de agosto. A notícia de sua morte traz tristeza aos familiares, amigos, colegas de profissão e certamente a muitos pacientes que passaram por seu consultório ao longo dos anos.

Para mim, porém, João Barizza não será apenas o nome de um médico conhecido da cidade.

Ele cuidou da minha mãe.

E talvez poucas coisas revelem tanto sobre um profissional da saúde quanto a maneira como ele trata a mãe de alguém.

Quando entregamos uma pessoa querida aos cuidados de um médico, não entregamos somente exames, sintomas, radiografias ou uma ficha preenchida. Entregamos também preocupação, esperança, medo e confiança.

Foi nesse lugar tão particular da memória que o Dr. João Barizza ficou para mim.

Lembro-me dele como um médico atencioso e gentil.

Duas palavras aparentemente simples, mas que se tornam enormes quando estamos falando de medicina.

Dr. João Barizza: o médico que também sabia acolher

A tecnologia transformou hospitais, consultórios, exames e tratamentos. A medicina avançou de uma maneira extraordinária. Mas nenhuma máquina conseguiu substituir uma coisa essencial: a humanidade de quem está diante do paciente.

Um médico pode conhecer profundamente ossos, músculos e articulações. Pode interpretar uma imagem com precisão e escolher o melhor tratamento. Tudo isso é fundamental.

Mas existe algo que não aparece no diploma pendurado na parede: a capacidade de fazer o paciente sentir que está sendo verdadeiramente cuidado.

Gentileza não aparece numa radiografia.

Atenção não pode ser medida em um exame de sangue.

Respeito não vem escrito numa receita.

Mas quem já precisou de um médico sabe exatamente a diferença que essas coisas fazem.

O Dr. João Barizza tinha isso.

Pelo menos foi assim que o conheci enquanto acompanhava os cuidados dedicados à minha mãe. E é justamente essa lembrança que me veio quando soube de sua morte.

São Carlos se despede do Dr. João Barizza

Uma cidade não é formada apenas por ruas, prédios, praças ou números de habitantes.

Uma cidade também é construída pelas pessoas que passam décadas participando silenciosamente da vida de outras pessoas.

O médico que atende uma família.

O professor que ensina gerações.

O comerciante que conhece seus clientes pelo nome.

O profissional que atravessa os anos trabalhando e, sem perceber, passa a fazer parte da memória coletiva de uma comunidade.

Quando alguém assim parte, permanecem pequenas histórias espalhadas por São Carlos. Histórias que talvez nunca sejam publicadas, porque pertencem às famílias e aos pacientes.

Cada pessoa guarda a sua.

Eu guardo a minha.

Guardo a lembrança de um ortopedista que tratou minha mãe com atenção e gentileza.

E, diante da morte, talvez sejam justamente essas pequenas lembranças que revelem o tamanho da passagem de alguém pela vida.

Porque chega um momento em que os títulos profissionais ficam para trás.

Não importa mais quantas consultas foram realizadas ou quantos anos foram dedicados à profissão.

Fica uma pergunta muito mais simples:

Como essa pessoa tratou aqueles que encontrou pelo caminho?

No caso do Dr. João Barizza, eu tenho uma resposta.

Com minha mãe, ele foi gentil.

E isso eu não esqueço.

Descanse em paz, Dr. João Barizza.

À família, aos amigos, aos colegas e aos pacientes que hoje sentem sua partida, ficam os sentimentos e o respeito do São Carlos em Rede.

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