Exclusivo: Depois de viagem, são-carlense é contaminado pela COVID-19 e conta seu drama

Medicamentos que o paciente tomou para a COVID-19

Por Renato Chimirri

Um passeio com a família se transformou num momento de terror para a família de José Marcio. Ele contou que viajou com a esposa e filha passar três dias em Lindoia, no Circuito das Águas Paulistas. “Ficamos num hotel com todos os protocolos e segurança que poderíamos imaginar, todos usando máscaras, álcool, parecia até um exagero, luvas no restaurante, tivemos toda a assessoria do hotel, praticamente sem contato com pessoas de fora, absolutamente nada”, diz.

José e família voltaram no dia 7 para a casa. “Neste dia, pela manhã, eu já senti uma coceira no nariz, mas pensei que fosse por causa de algum tipo de perfume, fato que é corriqueiro e sempre acontece comigo”, conta.

Porém, os sintomas foram evoluindo e ele começou a sentir a garganta raspar na terça-feira subsequente à sua viagem. “No começo não tive febre e nem coriza, os sintomas foram aumentando durante a semana, tomei uma Novalgina em um dia, depois uma Aspirina no outro dia porque pensei que fosse a garganta raspando de maneira comum, pois na quarta-feira anterior à minha viagem  fiz um teste de sangue para a COVID-19 e deu negativo, eu estava bem tranquilo”, recorda.

Entretanto, quando chegou o final de semana ele começou a sentir algo diferente. “Na sexta-feira, tive febre baixa e dificuldade grande na respiração e achei tudo estranho e fui piorando no sábado, no domingo, por isso na segunda-feira fui até o ginásio Milton Olaio onde é o local para atendimento nestes casos na rede pública”, destacou.

No ginásio, o paciente ressaltou que foi muito bem atendido, passou por uma triagem, por um enfermeiro e um médico que lhe mandou fazer o exame para a COVID-19 por causa dos sintomas. A coleta do exame foi realizada com bastão nas narinas e lhe recomendaram o isolamento e a forma como ele poderia fazer para saber o resultado. “Inicialmente não me deram medicamento, voltei para a casa e o sintomas foram piorando, a respiração ficou curta, você começa a ter uma canseira forte, isso me abalou bastante”, disse.

Com os sintomas crescendo, José não tomou nenhum remédio sem orientação médica, pois é diabético e tem hipertensão arterial. “Ainda não sabia se podia tomar remédios, não tinha o resultado do exame, fiquei só no líquido, sentia um grande calor, uma canseira grande e enfim o resultado confirmou a COVID-19. Voltei ao Milton Olaio e passei pelo médico que  me deu medicamentos”, recorda.

Anteontem, José tomou as primeiras doses dos seus medicamentos e começou a sentir uma melhora discreta. “A noite foi cumprida, porque lhe falta o ar, a respiração, ontem tive um dia melhor seguindo a medicação e hoje amanheci mais forte, porém durante esses dias não tive apetite de nada, não sentia cheiro, gosto”, diz.

O paciente tomou muita laranjada, limonada, frutas ricas em Vitamina C e segue o protocolo de medicamentos. Além disso, ele também está fazendo inalação por recomendação médica. “É uma experiência muito ruim, a respiração é pouca, você cansa, é muito difícil, mas tenho que agradecer a Deus porque não tive complicações maiores, contudo tenho visto amigos, companheiros de trabalho que estão indo para o hospital e sendo intubados”, lembra.

Hoje, José Marcio disse que recebeu uma ligação da Unidade Básica de Saúde da Santa Paula que fica perto de sua casa lhe passando orientações. “Neste sentido, não posso criticar em nada o trabalho da Prefeitura, fui atendido pelo sistema, fiz todos os procedimentos, esperei de maneira comum o atendimento e tive respaldo de tudo, pois recebi a confirmação de exame por e-mail, tenho previsão de alta para sábado, dia 19, porém vou permanecer mais alguns dias isolado em casa”, pondera.

A filha de José Marcio testou positivo e teve sintomas diferentes dos dele. Ela teve coriza, espirro e começou a ser tratada. “Ela já está bem melhor, já minha esposa teve os mesmos sintomas que os meus, contudo testou negativo para a doença, mas apontou a respiração ruim, tosse, mas estou feliz porque hoje estou melhor, passei um dia bom, tomando os cuidados, espero que a noite não seja tão longa como as anteriores”, finaliza.

Sobre a Ivermectina que está na imagem e tem sido prescrita para a COVID-19

 A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), através do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial, lança neste mês de dezembro o documento científico “O uso de ivermectina baseado em evidências em Pediatria”. O material tem como objetivo esclarecer questões a respeito da eficiência e dos possíveis riscos do uso deste medicamento, especialmente, para crianças. Considerando o atual cenário de pandemia do novo coronavírus, um dos pontos destacados no documento é que, em publicação recente, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) desaconselha o uso da ivermectina para o tratamento da COVID-19.

ACESSE AQUI O DOCUMENTO COMPLETO 

Essa substância foi descoberta em 1974, e introduzida no mercado para uso em animais, domésticos e silvestres, em 1981, para controle de infecções causadas por nematódeos parasitários e artrópodes (inseto, carrapato e ácaros). Já o início da utilização em humanos ocorreu seis anos depois. Porém, o documento científico salienta que, na pediatria, a ivermectina só pode ser indicada para crianças maiores de cinco anos e com o peso acima de 15kg, e que deve ser evitado em gestantes e lactantes.

De acordo com os especialistas, a segurança e a efetividade do medicamento em pacientes pediátricos com menos de 15kg ainda não está bem estabelecida. Há, porém, a possibilidade de, em um futuro próximo, a substância ser liberada para esse grupo, com a disponibilidade de uma formulação comercial em solução oral e tópica, para o tratamento das doenças com boas evidências científicas.

O documento informa, ainda, que não há comprovação in vivo, até o momento, do efeito antiviral desta droga em animais e seres humanos. Segundo o material, um estudo recente realizado na Austrália demonstrou que a ivermectina possui atividade antiviral, em teste in vitro, contra o SARS-CoV-2, vírus causador da COVID-19. Este efeito in vitro também foi demonstrado contra outros vírus, como o HIV; e alguns arbovírus, como o vírus da zika, da febre amarela, chikungunya e dengue.

Esses resultados, entretanto, nunca foram reproduzidos em estudos clínicos, o que impede o seu licenciamento para o tratamento de qualquer uma dessas doenças. No momento, há ensaio clínico registrado com o objetivo de testar a eficácia do tratamento com a invermectina para a COVID-19, porém ainda não foi iniciado.

No Brasil, só existe a apresentação comercial da ivermectina em comprimidos de 6 mg e a dose média de 0,2 mg/kg/dose única é a preconizada. Os efeitos colaterais mais comuns são: diarreia, náuseas, cefaleia, febre, astenia, anorexia, constipação intestinal, vômitos e dor abdominal. Há também manifestações neurológicas, como: tonturas, sonolência, vertigem, tremor, parestesia e convulsões; e cutâneas, como: urticária, erupção cutânea, coceira e edema. 

O Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial é composto pelos drs.: Tadeu Fernando Fernandes; Normeide Pedreira dos Santos França; Geila de Amorim Rocha; José Paulo Vasconcellos Ferreira; Regis Cardoso Assad; Renata Rodrigues Aniceto; e Samir Buainain Kassar.