A disputa pela Prefeitura de São Carlos em 2028 já começou

São Carlos e as discussões políticas

Com a eleição presidencial encerrada e Lula eleito para um quarto mandato, a política são-carlense começa a voltar suas atenções para 2028. Entre possíveis candidaturas, articulações partidárias e especulações, a sucessão municipal promete movimentar os próximos dois anos.

Mal terminou a eleição presidencial de 2026, que consagrou Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato, e as turbinas eleitorais já começam a esquentar em São Carlos. Embora ainda faltem dois anos para a próxima disputa pela Prefeitura, os bastidores da política municipal estão longe de permanecer silenciosos.

Nomes surgem, possibilidades são discutidas, alianças começam a ser imaginadas e velhos conhecidos da política local voltam a aparecer nas conversas. Evidentemente, não há candidaturas oficializadas. O que existe, neste momento, é um conjunto de movimentações, avaliações e especulações que ajudam a desenhar o cenário para 2028.

E há uma pergunta que começa a circular: quem estará na disputa pelo comando da Prefeitura de São Carlos?

Netto Donato e o desafio da reeleição

O atual prefeito, Netto Donato (PP), é um dos nomes naturalmente lembrados para a eleição de 2028. Com direito a disputar mais um mandato consecutivo, poderá buscar a reeleição.

O desafio político de Netto será administrar o desgaste natural do exercício do poder, apresentar resultados de sua gestão e construir uma aliança capaz de sustentar uma eventual candidatura.

Também será necessário observar como o prefeito pretende dialogar com os diferentes segmentos da direita são-carlense, incluindo os setores mais conservadores, sem perder espaço entre eleitores de outras correntes.

O comportamento dos partidos que hoje integram sua base de sustentação será determinante para compreender a configuração dessa possível candidatura.

Julio Cesar: uma candidatura pelo PL?

Outro nome frequentemente mencionado nas conversas políticas é o do vereador Julio Cesar, do PL.

Depois de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo em 2026, sem conseguir se eleger, o parlamentar poderá voltar suas atenções para a política municipal.

A questão, entretanto, passa pela estrutura partidária. O PL mantém proximidade política com o governo Netto Donato, situação que pode influenciar diretamente os planos de Julio Cesar.

O partido teria disposição para apresentar candidatura própria à Prefeitura ou optaria por permanecer numa composição com o atual prefeito?

Essa é uma das perguntas que deverão acompanhar as articulações da direita nos próximos meses.

Mario Casale: um possível retorno à disputa

O empresário Mario Casale, que já disputou a Prefeitura de São Carlos pelo NOVO, também aparece entre os nomes lembrados para 2028.

Sua eventual participação dependerá, naturalmente, de uma decisão pessoal e das condições políticas e partidárias existentes no momento.

Casale poderá retornar ao debate municipal? Existe espaço para uma candidatura vinculada ao NOVO ou a uma proposta política independente dos grupos tradicionais?

Por enquanto, são questões em aberto.

Edson Ferraz e os caminhos do MDB

O vereador Edson Ferraz (MDB) é outro personagem que pode entrar nas conversas sobre a sucessão municipal.

Com experiência no Executivo, tendo ocupado o cargo de vice-prefeito durante a administração de Airton Garcia, Ferraz conhece o funcionamento da Prefeitura e os mecanismos da política local.

Entretanto, existe um componente importante nessa equação: o MDB participa atualmente do governo Netto Donato.

Uma eventual candidatura de Edson Ferraz exigiria uma discussão interna sobre os rumos do partido, suas alianças e seus interesses para 2028.

O MDB apostaria em candidatura própria ou permaneceria ao lado do atual prefeito?

Raquel Auxiliadora e o espaço do PT

No campo progressista, a vereadora Raquel Auxiliadora, do PT, aparece como um dos nomes que poderão participar das discussões sobre a sucessão municipal.

Sua candidatura a deputada federal em 2026, quando recebeu mais de 11 mil votos, representa um dado importante para compreender sua presença no debate político.

A votação não pode ser automaticamente transferida para uma eleição municipal, mas oferece elementos para avaliar sua trajetória e sua inserção partidária.

A questão será saber se Raquel pretende disputar a Prefeitura e se conseguirá reunir apoio interno para uma eventual indicação do PT.

Newton Lima: o retorno que ainda é uma incógnita

Quando se fala em eleições municipais em São Carlos, o nome de Newton Lima inevitavelmente aparece nas conversas.

Ex-prefeito e ex-deputado federal, Newton disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2026, mas não conseguiu se eleger.

Segundo relatos de bastidores apresentados a esta coluna, existem integrantes do PT que defendem uma nova candidatura de Newton à Prefeitura.

Por outro lado, as mesmas conversas indicam que o ex-prefeito não estaria disposto, neste momento, a enfrentar outra campanha municipal.

Nada disso representa uma decisão oficial. O futuro político de Newton Lima dependerá de sua própria disposição e das discussões que ocorrerão dentro do partido.

Djalma Nery: o PSOL poderá apresentar candidatura própria?

O vereador Djalma Nery, do PSOL, também aparece entre os nomes mencionados no campo progressista.

Com atuação política próxima de segmentos da juventude e participação em debates ligados a pautas sociais, Djalma poderá integrar as conversas sobre uma candidatura majoritária em 2028.

Uma eventual participação dependerá da estratégia do PSOL e de possíveis entendimentos com outras legendas progressistas.

A discussão passa por uma questão importante: os partidos desse campo político caminharão juntos ou apresentarão projetos distintos para São Carlos?

Ana Beatriz Oliveira: uma novidade que circula apenas como especulação

Entre as conversas mais recentes dos bastidores aparece um nome de fora da política eleitoral tradicional: o da reitora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), professora Ana Beatriz Oliveira.

Há comentários de que setores progressistas gostariam de vê-la disputando a Prefeitura em 2028.

É importante ressaltar, entretanto, que não existe confirmação de candidatura, anúncio de filiação partidária ou manifestação pública de interesse da professora em disputar o cargo, com base nas informações disponíveis para este artigo.

Por enquanto, trata-se exclusivamente de especulação política.

A eventual entrada de uma personalidade ligada à universidade representaria um elemento novo nas discussões municipais, mas não há informações concretas que permitam afirmar que esse movimento esteja em andamento.

O tabuleiro de 2028 começa a ser montado

Há um elemento que não pode ser ignorado nessa discussão: o resultado das eleições presidenciais em São Carlos.

Embora Lula tenha conquistado a reeleição nacional, Flávio Bolsonaro venceu no município por uma diferença de 3.103 votos. O candidato do PL recebeu 75.264 votos, enquanto Lula somou 72.161.

Os números mostram uma disputa presidencial equilibrada na cidade, mas não permitem antecipar o comportamento do eleitorado numa eleição para prefeito.

Afinal, eleições municipais possuem características próprias. O eleitor avalia a administração da cidade, os serviços públicos, as propostas apresentadas e a trajetória dos candidatos.

Até 2028, muita coisa poderá acontecer. Partidos hoje aliados poderão seguir caminhos diferentes, novas lideranças poderão aparecer e nomes atualmente mencionados poderão decidir não participar da disputa.

Também será necessário observar o papel das legendas na construção das candidaturas. Nem sempre a vontade individual de um político coincide com a estratégia de seu partido.

Ainda faltam dois anos, mas a política não espera

O fato é que a eleição municipal de 2028 já começa a ocupar espaço nas conversas políticas de São Carlos.

Netto Donato, Julio Cesar, Mario Casale, Edson Ferraz, Raquel Auxiliadora, Newton Lima, Djalma Nery e até mesmo Ana Beatriz Oliveira são nomes que, por diferentes razões, aparecem nesse debate inicial.

Isso não significa que todos serão candidatos. Alguns poderão desistir, outros poderão participar de alianças e há aqueles cuja presença na discussão não passa, por enquanto, de especulação.

A relação de possíveis interessados também está longe de ser definitiva.

Enquanto os partidos fazem suas contas, a população continuará acompanhando questões concretas da cidade: saúde, educação, mobilidade, segurança, abastecimento de água, desenvolvimento econômico e geração de empregos.

São assuntos que certamente estarão no centro das discussões quando a campanha municipal começar oficialmente.

Por enquanto, as peças estão sendo colocadas sobre o tabuleiro.

E, como a política de São Carlos já demonstrou tantas vezes, dois anos podem ser uma eternidade.