Golpes fazem novas vítimas em São Carlos e região; veja as estratégias usadas por criminosos

Golpes fazem novas vítimas em São Carlos e região; veja as estratégias usadas por criminosos
Golpes fazem novas vítimas em São Carlos e região; veja as estratégias usadas por criminosos

Uma sequência de ocorrências de golpes (estelionatos) registradas pela Polícia Civil chama a atenção em São Carlos e cidades da região. Os boletins analisados pelo São Carlos em Rede mostram criminosos utilizando diferentes estratégias para enganar as vítimas, desde contatos pelo WhatsApp até falsas liberações de valores judiciais e movimentações bancárias não reconhecidas.

Os casos foram registrados entre sexta-feira (28) e a madrugada deste domingo (30). Parte das ocorrências aconteceu em São Carlos, enquanto outras foram registradas em municípios próximos.

Em comum, as histórias mostram como os golpistas exploram confiança, urgência e desconhecimento das vítimas para obter dinheiro ou acesso a informações pessoais.

Golpes: Falso advogado usa processo verdadeiro como isca

Em um dos casos registrados na região, criminosos se apresentaram como advogado e representante ligado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A abordagem ganhou credibilidade porque os golpistas mencionaram um processo envolvendo o pai da vítima.

Segundo o boletim, o suposto representante passou a orientar movimentações entre contas bancárias e pediu uma operação que teria como justificativa uma suposta simulação para liberação de valores e isenção de impostos.

Uma operação de R$ 8.318 aparece relatada no registro. Posteriormente, a família percebeu que se tratava de um golpe.

Outro boletim relacionado ao episódio informa que foram realizados dois Pix, um de R$ 5 mil e outro de R$ 2,2 mil, totalizando R$ 7,2 mil.

Mensagem do “filho” termina em Pix

Outra vítima recebeu uma mensagem pelo WhatsApp de uma pessoa que se apresentou como seu filho e afirmou estar utilizando um novo número de telefone.

Depois de conquistar a confiança da vítima, o golpista pediu um Pix de R$ 3.990. A vítima conseguiu transferir R$ 1,4 mil. Na sequência, recebeu um novo pedido, desta vez de R$ 2.590.

A segunda transferência não foi realizada. Após conversar com outro filho, a vítima descobriu que estava diante de um golpe, bloqueou e denunciou o contato.

Amiga tem celular invadido e golpista faz nova vítima

Em São Carlos, outra ocorrência começou com uma mensagem aparentemente enviada por uma amiga da vítima. O telefone dessa pessoa, porém, havia sido comprometido.

Na conversa, foi solicitada ajuda para supostamente validar um anúncio. Pouco depois, a vítima recebeu uma ligação e foi orientada a participar de uma chamada de vídeo e acessar uma conversa relacionada a um suposto reembolso.

Ao perceber que poderia estar diante de uma fraude, a vítima tentou reagir, mas relatou que seu aparelho já havia sido comprometido. Segundo o BO, R$ 400 foram retirados, e o telefone deixou de ser utilizado normalmente.

A vítima bloqueou contas bancárias e o número telefônico, mas relatou que os criminosos ainda estariam utilizando seus dados e contatos para tentar aplicar novos golpes.

Plataforma de jogos pede novo depósito para liberar dinheiro

Outro morador de São Carlos procurou a Polícia Civil depois de acessar uma plataforma de jogos pela internet e realizar um depósito inicial de R$ 100.

Segundo seu relato, o saldo exibido pela plataforma chegou a R$ 5.550,90. O problema começou quando tentou sacar o dinheiro.

A vítima afirma que passou a receber exigências para realizar procedimentos adicionais e, posteriormente, foi informada de que precisaria depositar outros R$ 500 para conseguir liberar o saque.

Nesse momento, desconfiou do golpe e pediu apenas a devolução dos R$ 100 inicialmente depositados. Segundo o registro, o suporte deixou de responder.

Compras aparecem no cartão mesmo com cartão físico em poder da vítima

Em outro caso registrado em São Carlos, uma mulher percebeu duas compras que não reconhecia em seu cartão de débito, embora afirmasse estar com o cartão físico.

Uma das operações era de R$ 199. Ao tentar contestar as movimentações, ela seguiu uma orientação exibida durante o procedimento e realizou uma ligação. Durante o contato, foram solicitados dados bancários e, por fim, a senha de seis dígitos.

A mulher não forneceu a senha, desligou e bloqueou o cartão. Pouco depois, recebeu uma notificação referente a outra tentativa ou operação de R$ 58,55, desta vez envolvendo um cartão virtual.

Conta desconhecida é encontrada vinculada aos dados da vítima

Outro boletim registrado em São Carlos relata um caso diferente. Uma jovem verificou pelo aplicativo de seu banco uma movimentação de R$ 159 relacionada a uma conta de pagamento que, segundo ela, jamais havia aberto ou autorizado.

A vítima também afirmou não reconhecer a transação e levantou a suspeita de que seus dados pessoais estivessem sendo utilizados por terceiros.

Ela procurou atendimento da instituição envolvida, mas, conforme relatado no BO, não conseguiu naquele momento identificar qual estabelecimento ou plataforma havia originado a movimentação. O boletim foi registrado também para resguardar a vítima diante de possíveis cobranças ou novas fraudes.

Vítima é ameaçada depois de entrar em perfil falso

Um dos registros da região mostra ainda uma situação em que a vítima acessou o que acreditava ser um perfil legítimo na internet.

Posteriormente, recebeu uma ligação e, segundo relatou à Polícia Civil, passou a sofrer ameaças contra ela e seus familiares.

Com medo, realizou duas transferências, uma de R$ 500 e outra de R$ 300, acumulando prejuízo de R$ 800. O caso foi registrado inicialmente como estelionato.

Celular clonado preocupa vítima em Ibaté

Em Ibaté, um homem procurou a polícia após relatar que teve o celular clonado.

Segundo o boletim, o aparelho começou a travar e esquentar durante a tarde. Mais tarde, a vítima percebeu problemas para acessar serviços bancários e ficou preocupada principalmente porque havia informações de seus documentos armazenadas no telefone.

O registro não aponta, no trecho apresentado, um prejuízo financeiro confirmado. A preocupação relatada é com o possível acesso dos criminosos aos dados pessoais.

Golpes foram registradas como estelionato

Os boletins foram registrados pela Polícia Civil como ocorrências de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, e encaminhados às unidades responsáveis pelas áreas onde os fatos ocorreram.

Em parte dos registros, a própria autoridade policial destaca a necessidade de as vítimas comparecerem à delegacia para apresentar documentos e fornecer informações complementares que permitam esclarecer a dinâmica dos fatos e dar andamento às investigações.

Os episódios de golpes reforçam principalmente a necessidade de cautela diante de mensagens ou ligações que solicitem Pix, movimentações bancárias, códigos, senhas ou qualquer procedimento para supostamente liberar dinheiro. Nos casos em que alguém se apresenta como familiar ou profissional conhecido, a confirmação deve ser feita por outro meio antes de qualquer transferência.

Leia mais: Suspeito tenta fugir pelos telhados após furto em residência e acaba preso pela PM em São Carlos