IntegraSanca: São Carlos tem 101 sistemas municipais e projeto com a USP busca integrar dados e melhorar serviços

IntegraSanca revela 101 sistemas na Prefeitura de São Carlos, sendo 28 obsoletos. Projeto com a USP pretende integrar dados e melhorar serviços públicos.
IntegraSanca revela 101 sistemas na Prefeitura de São Carlos, sendo 28 obsoletos. Projeto com a USP pretende integrar dados e melhorar serviços públicos.

A Prefeitura de São Carlos apresentou, nesta sexta-feira (18), os primeiros resultados do IntegraSanca, projeto desenvolvido em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) para integrar dados municipais e modernizar os serviços públicos. O encontro ocorreu no auditório Luiz Antônio Fávaro, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), no campus da USP São Carlos.

Um dos principais resultados apresentados foi o levantamento realizado pela Comissão Especial de Governança de Dados Municipais, que identificou 101 softwares utilizados pela administração municipal. Desse total, 28 estão obsoletos ou abandonados, mas ainda consomem recursos de manutenção.

O diagnóstico também revelou problemas no armazenamento das informações: 11 secretarias ainda dependem de arquivos físicos, enquanto outras nove utilizam planilhas isoladas, sem backup.

Durante o evento, a Prefeitura entregou formalmente aos pesquisadores da USP os dados coletados pelo IntegraSanca. O material servirá de base para o desenvolvimento das soluções tecnológicas previstas pelo projeto, conduzido no âmbito do Centro de Ciência para o Desenvolvimento.

IntegraSanca pretende acabar com sistemas que não se comunicam

Atualmente, diferentes setores da Prefeitura de São Carlos utilizam sistemas que nem sempre conseguem compartilhar informações entre si.

Dos 101 softwares identificados, 42 foram desenvolvidos internamente, 31 são externos ou contratados e 28 estão obsoletos ou abandonados.

A professora Cristina Aguiar, pesquisadora da USP e uma das coordenadoras do IntegraSanca, explicou que essa fragmentação pode gerar informações conflitantes.

“Existem diversos sistemas que não se conversam, os dados que estão nesse sistema são totalmente heterogêneos, no sentido que eu posso encontrar o mesmo dado em diferentes lugares, com valores diferentes”, afirmou.

Segundo a pesquisadora, o objetivo é resolver essas inconsistências antes que os dados sejam utilizados na elaboração de relatórios ou na tomada de decisões.

“A ideia é já ter esses conflitos resolvidos de antemão, para que, no momento de gerar um relatório ou tomar uma decisão, os dados estejam consistentes e mais apurados”, explicou.

O projeto também prevê a transferência de conhecimento da universidade para os profissionais da Prefeitura, permitindo que a equipe municipal continue operando as soluções após o encerramento da parceria.

Saúde e educação poderão ter serviços digitais integrados

Entre as possibilidades apresentadas pelo IntegraSanca estão o agendamento digital de consultas médicas e a realização de matrículas escolares por meio de sistemas integrados.

A Secretaria Municipal de Educação apresentou o DemandaNet, sua nova plataforma de gestão, estruturada como um ERP especializado em educação.

O sistema deverá integrar dez frentes da rede municipal, incluindo o planejamento de vagas e a gestão da vida funcional dos professores.

A plataforma será mantida por uma equipe própria de Tecnologia da Informação da Secretaria de Educação, enquanto a empresa contratada ficará responsável pelo desenvolvimento técnico dos módulos.

Durante o encontro, a Secretaria de Cidadania e Assistência Social também apresentou informações dos programas sociais do município.

Já a Secretaria de Saúde mostrou dados referentes à dispensação de medicamentos nas farmácias municipais e ao prontuário eletrônico dos pacientes.

A integração dessas bases deverá permitir que diferentes setores da administração compartilhem informações de maneira mais organizada, respeitando as exigências de proteção de dados pessoais.

Falta de integração dificulta aproveitamento de consultas médicas

O prefeito Netto Donato citou um exemplo prático dos problemas enfrentados pela administração municipal.

Segundo ele, somente no mês anterior, mais de mil consultas nas unidades de saúde de São Carlos registraram faltas de pacientes sem aviso prévio.

Com uma base de dados unificada e canais de comunicação integrados, a Prefeitura pretende identificar essas vagas e possibilitar sua realocação em tempo real para outros pacientes, considerando situações de maior urgência.

O prefeito classificou o trabalho desenvolvido pelo IntegraSanca como “de excelência” e destacou que a modernização dos sistemas poderá proporcionar mais transparência à população.

Netto também observou que a arquitetura de integração de dados funciona nos bastidores da administração pública. Embora não seja imediatamente visível aos moradores, a estrutura poderá ter impacto direto na eficiência dos serviços municipais.

Prefeitura apresenta recomendações para proteção e armazenamento de dados

A Comissão Especial de Governança de Dados Municipais também apresentou recomendações organizadas em seis eixos para modernizar a gestão das informações.

Entre as medidas propostas estão a criação de uma política unificada de adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a eliminação do uso de papel nos processos administrativos, a adoção de nuvem corporativa homologada e o estabelecimento de regras para a utilização de planilhas.

A pesquisadora Kalinka Castelo Branco destacou que o município já possui um grande volume de dados, mas ainda enfrenta dificuldades para transformá-los em informações úteis.

“Temos muitos dados, mas pouca informação, porque quando conseguimos integrar esses dados, conseguimos gerar uma informação específica para a população e também para o gestor, para a tomada de decisão”, afirmou.

Para Kalinka, a expectativa é que o projeto contribua, no médio prazo, para uma Prefeitura mais resiliente, uma cidade mais inteligente e serviços que atendam à população de maneira mais efetiva.

Parceria reúne Prefeitura, USP, FAPESP e universidades

O secretário adjunto de Cidade Inteligente, Cristiano Pedrino, destacou a aproximação entre o poder público e as instituições de pesquisa.

Segundo ele, a integração dos dados municipais permitirá formular políticas públicas com base nas informações disponíveis nos sistemas da administração.

“Conseguir integrar esses dados para transformar as políticas públicas da cidade de uma forma baseada no que temos nos sistemas, isso nunca aconteceu, nunca tivemos um projeto e uma proximidade como estamos tendo no momento com a FAPESP, com a USP, com a UFSCar e todas as demais universidades”, afirmou.

Também participaram do encontro a secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paula Knoff; o secretário de Cidade Inteligente e Transparência, Mateus de Aquino; e o secretário de Gestão da Cidade e Infraestrutura, Leonardo Lázaro.

O IntegraSanca segue em desenvolvimento. A partir dos dados entregues à equipe acadêmica, os pesquisadores trabalharão nas soluções de integração que poderão permitir à Prefeitura de São Carlos reduzir a fragmentação de informações, aprimorar processos administrativos e ampliar a oferta de serviços digitais à população.

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