Marília Mendonça cantou músicas que falavam da vida sentimental de cada um

Marília morreu em um acidente aéreo aos 26 anos

Até quem não é muito conhecedor do repertório sertanejo como eu, sabia das músicas da Marília Mendonça, dos sucessos estrondosos que ela fazia, das multidões que acompanhavam seus shows, das pessoas que cantavam repetidamente suas músicas e das letras que davam um tapa na cara da hipocrisia da sociedade.

Marília era a mulher real, fugiu dos estereótipos de beleza, porque seu talento era muito maior que qualquer coisa. Sua música era a palavra certa, na hora exata para quem apenas queria sentir, para quem estava com aquela dor profunda que incomodava, para quem amava sem medidas, mesmo sabendo que o amor era bandido, porque o outro não prestava e queria ter várias ou vários ao mesmo tempo.

O que Marília Mendonça cantava era a vida das pessoas, de todos nós, a vida no amor triste que nunca deu certo. Aquela amor que foi apenas um beijo, uma transa, um nada mais. Ela sabia falar de alma, de dor, de coração como poucas pessoas na Música Popular Brasileira conseguiram até hoje.

A música da Marília Mendonça resgatou a mulher nesse estilo musical, falou dos seus anseios, das suas dores, contou em uma das canções sentimentos profundos das mulheres que trabalhavam na prostituição, criou o “feminejo” que hoje foi citado textualmente no The New York Times, o maior jornal do mundo. Marília Mendonça, de apenas 26 anos, foi imensa para a música brasileira. Marília Mendonça foi humana, demasiadamente, humana e representou todos que amavam e choravam, mesmo que escondidos por não estarem perto dos seus respectivos amores.

Em um twett de 12 horas atrás a jovem estrela escreveu:  “pensei um negócio aqui, respondendo uma fã e é verdade: já repararam que mulher não sabe fazer coisa meia boca? Se for pra fazer um trabalho, ela entrega tudo. Se for pra amar, ela entrega tudo. As vezes nem é cobrança externa, é só porque mulher não sabe ser mediana mesmo”.

Marília não era mediana, era plena na carreira e na arte de cantar, de emocionar o público. Estamos diante da perda da maior estrela da música popular dos últimos tempos. Não é preciso ser fã de suas músicas para perceber do que estamos falando, sua morte foi notícia nas seguintes mídias: New York Times, People, Billboard e em outros veículos da Europa e demais continentes.

Hoje, se foi parte da história. O New York Times vaticinou sobre a cantora: “’Mendonça foi um ícone da música country brasileira, chamada de sertanejo. Sua legião de fãs encontrou força em suas letras, que imploravam às mulheres a rejeitar relações abusivas e que contavam histórias de personagens imperfeitos”.

O imperfeito que Marília cantava ficará na memória de seus fãs para sempre. Luto em toda a Música Popular Brasileira.

Renato Chimirri