São Carlos instala 220 ovitrampas para reforçar combate à dengue e monitorar Aedes aegypti

São Carlos instala 220 ovitrampas para reforçar combate à dengue e monitorar Aedes aegypti
São Carlos instala 220 ovitrampas para reforçar combate à dengue e monitorar Aedes aegypti

São Carlos começa a instalar 220 ovitrampas para monitorar o Aedes aegypti em áreas de risco. Município registra 404 casos de dengue em 2026

A Prefeitura de São Carlos começa neste mês a instalar 220 ovitrampas em residências e estabelecimentos comerciais como parte de uma nova estratégia de monitoramento do Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão de dengue, Zika e chikungunya.

O trabalho será realizado pelo Departamento de Vigilância em Saúde e pela Unidade de Controle de Zoonoses e Endemias. A proposta é utilizar as armadilhas para detectar com maior precisão os locais onde há circulação e reprodução do mosquito e, a partir dessas informações, direcionar as ações de combate.

A adoção da metodologia ocorre em um cenário que exige atenção. Segundo a Prefeitura, o município apresenta transmissão sustentada de dengue quando analisada a série histórica dos últimos dez anos. Além disso, São Carlos já contabiliza 404 casos confirmados de dengue em 2026, embora nenhum óbito pela doença tenha sido registrado até o momento.

Como funcionam as ovitrampas contra o Aedes aegypti?

Apesar do nome pouco conhecido pela população, a ovitrampa possui funcionamento relativamente simples. Ela foi desenvolvida para atrair as fêmeas do mosquito e possibilitar a coleta de seus ovos.

A estrutura consiste em um recipiente plástico preto, de boca larga, contendo uma palheta de madeira aglomerada. No recipiente são colocados 300 ml de água e 1 ml de levedo de cerveja. A mistura funciona como atrativo para a fêmea do mosquito, estimulando a postura dos ovos na palheta.

Depois de recolhidas, essas palhetas são levadas ao laboratório da Unidade de Controle de Zoonoses e Endemias, onde os ovos encontrados são analisados e contabilizados.

Com os resultados, as equipes conseguem estabelecer quais regiões apresentam maior infestação e, consequentemente, onde as medidas preventivas precisam ser intensificadas.

Armadilhas ficarão cinco dias nos imóveis

Existe um cronograma específico para impedir que as próprias armadilhas se transformem em criadouros.

As ovitrampas serão instaladas às quintas e sextas-feiras e retiradas cinco dias depois, às segundas e terças-feiras. O intervalo permite a coleta dos ovos antes que ocorra a eclosão.

Os recipientes ficarão na área externa dos imóveis, em pontos protegidos da chuva e da incidência direta do sol, a uma altura máxima de 1,50 metro. Também deverão permanecer fora do alcance de crianças e animais domésticos.

Agentes de Combate às Endemias ficarão responsáveis tanto pela instalação quanto pela retirada dos equipamentos.

Os imóveis que receberão as ovitrampas foram previamente cadastrados e estão localizados em áreas consideradas de maior risco. De acordo com o município, moradores e responsáveis pelos estabelecimentos selecionados foram comunicados e aceitaram voluntariamente participar do monitoramento.

Dados poderão antecipar ações contra a dengue

Um dos principais benefícios das ovitrampas é permitir que a Vigilância em Saúde obtenha informações sobre a presença do Aedes aegypti antes mesmo de um eventual crescimento expressivo das notificações de doenças.

A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, explica que as 220 ovitrampas serão distribuídas em áreas de risco e considera a ferramenta importante para antecipar medidas de prevenção.

“As ovitrampas são ferramentas fundamentais para que possamos identificar rapidamente áreas com maior presença do mosquito. Com esses dados, conseguimos planejar ações mais eficazes e prevenir surtos antes que aconteçam”, afirmou.

O secretário municipal de Saúde, Leandro Pilha, também destacou a participação dos moradores na estratégia.

“Esse trabalho é essencial para proteger a população. A participação voluntária dos moradores mostra que todos estão engajados no combate às arboviroses, e juntos podemos reduzir os riscos de transmissão”, disse.

São Carlos tem 404 casos de dengue em 2026

Conforme os dados divulgados pela Prefeitura, 404 casos de dengue já foram confirmados em São Carlos neste ano. Até o momento, não houve registro de morte provocada pela doença.

Em relação às demais arboviroses monitoradas, 171 casos suspeitos de chikungunya foram descartados, assim como 154 notificações de Zika. Também houve um caso investigado para febre amarela, posteriormente descartado.

Mesmo com a implantação das ovitrampas, o combate ao mosquito continua dependendo da eliminação de recipientes capazes de acumular água nas residências, empresas e terrenos. As novas armadilhas funcionam principalmente como instrumento de vigilância, permitindo identificar áreas prioritárias e orientar as equipes municipais.

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